Taxa de juros fica estável com ameaça de inflação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Fábio Galiotto<BR>Reportagem Local 
As taxas de juros de operações de crédito ficaram estáveis na comparação do mês passado em relação a dezembro de 2012, mas a expectativa é de queda nos próximos meses, mesmo com a pressão da inflação neste início de ano. Para pessoas físicas, a diferença na taxa média foi de 5,44% ao mês no fim do ano anterior para 5,43% em janeiro, conforme a Pesquisa de Juros da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Para a pessoa jurídica, passou de 5,57% para 5,55% na comparação entre os dois períodos.
A leve queda indica estabilidade e cria uma novo índice mínimo histórico para a série desde 1995. Na pesquisa, a Anefac aponta que a "expectativa é de que as taxas de juros voltem a ser reduzidas nos próximos meses por conta da melhora da economia, pela maior competição no sistema financeiro após os bancos públicos promoverem reduções nas taxas de juros, bem como com a expectativa de redução dos índices de inadimplência".
Como ressalva, o professor de economia Adilson Volpi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que a tendência é de manutenção dos juros nos próximos meses, enquanto o Banco Central (BC) analisa o comportamento da inflação. "No momento não vejo com bons olhos a possibilidade de queda nos juros enquanto não houver definições sobre a inflação", diz, ao completar que, se não deve cair, tampouco deve subir.
O coordenador de estudos econômicos da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, afirma que a inflação se mostra, sim, acima do centro da meta, de 4,5%, mas dentro dos dois pontos percentuais de variação para mais ou para menos estipulados pelo BC. Mesmo assim, acredita que a pressão não é tão grande a ponto de levar a uma alta de juros. "O motivo são questões conjunturais, como o preço dos alimentos, a safra menor, a alta de combustíveis", conta, ao prever que deve ocorrer queda nos índices mensais durante o segundo semestre.
Volpi explica que um dos instrumentos de controle inflacionário é a política de juros, representada principalmente pela definição da taxa básica, a Selic, hoje em 7,25%. No entanto, cita ainda a possibilidade de reduzir a oferta de crédito com a imposição de limitações de oferta aos bancos. O problema, afirma, é a necessidade de estimular o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013 depois de um resultado esperado de 1% para o ano passado, o que passa pelo fomento do crédito. "O BC está em uma encruzilhada e esse trimestre e o próximo serão fundamentais para observar como a inflação vai se comportar."
Com expectativa de melhora no cenário econômico interno, o coordenador da Anefac mantém a estimativa de queda nos índices de operações de crédito para este ano. "Os juros ainda estão elevados no Brasil, apesar de ser a menor taxa da série histórica."


