A taxa de juros média para pessoa física ficou pela primeira vez abaixo dos 100% ao ano desde o início da série histórica em 1995, ao cair de 6,02% em agosto (101,68% em 12 meses) para 5,81% em setembro (96,93% ao ano). Apesar de ainda ser considerada alta pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), que anunciou ontem a pesquisa sobre tarifas, a previsão é de que novas reduções ocorram nos próximos meses devido ao reaquecimento econômico do País, à redução dos índices de inadimplência e à maior competição entre bancos após instituições públicas reduzirem os próprios juros. Com isso, a produção industrial tende a aumentar.
Outro ponto que reforça essa tendência foi a primeira retração em 33 meses da taxa de juros média do cartão de crédito rotativo. A cobrança em cima de dívidas adiadas caiu em média 2,62% de agosto a setembro, ao passar de 238,30% para 228,17% ao ano, ou de 10,69% para 10,41% ao mês. Porém, o estudo aponta que algumas reduções programadas entram em vigor apenas em novembro e outras foram feitas de forma promocional, com prazo até 31 de dezembro deste ano. Por isso, o consumidor precisa ficar atento às taxas.
Segundo o relatório da Anefac, o volume de crédito tende a aumentar nos próximos meses. Apesar de nova redução de ontem da projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 1,57% para 1,54%, segundo analistas consultados pelo Banco Central (BC), a estimativa para 2013 segue em alta de 4%. ''Há mais créditos nos bancos e queda nas tarifas das instituições públicas, o que gera mais competição'', diz o coordenador de Estudos Econômicos da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira.
A expectativa é de que a maior oferta de crédito estimule a produção e o consumo. Para 2012, a estimativa do BC sobre a produção industrial foi de queda de 2,03% em relação ao ano anterior. ''O PIB não tem crescido como o esperado e o governo federal reagiu com medidas, como a redução de compulsórios que os bancos têm de depositar no Banco Central'', explica o delegado em Londrina do Conselho Regional de Economia (Corecon), Laércio Rodrigues de Oliveira. Ele se refere ao percentual que as instituições financeiras depositavam no BC sobre operações de crédito, que foi reduzido e gerou mais recursos para oferta a consumidores e empresas.
Taxa ainda alta
O coordenador de estudos da Anefac cita, no estudo, que ''as taxas de juros se encontram em patamares elevados no País, seja pelo baixo volume de crédito disponível, que representa 51% do PIB quando a média internacional passa de 100%, seja pelos custos que incidem sobre as taxas''. Ele diz que a expectativa é de que esse valor chegue a 55% até o fim do ano e a 60% em 2013, o que deve facilitar a produção e o consumo.
Segundo o delegado do Corecon, o volume de crédito funciona como uma poupança interna, que serve para o governo financiar o desenvolvimento econômico. Porém, diz que o reflexo de medidas para fortalecer a indústria tende a demorar de seis meses a dois anos para dar resultados em forma de crescimento do PIB. ''Mas a sinalização do governo costuma mostrar o caminho, que é o que tem ocorrido.''
Para o pesquisador da Anefac, a taxa Selic, que serve como base para cálculos gerais de tarifas, que baixou de 12,50% ao ano em julho de 2011 para 7,25% em outubro, não é mais dificuldade para o crescimento. ''Os três fatores que mais atrapalham hoje são a guerra fiscal entre estados, a inadimplência do consumidor e a alta margem de lucros dos bancos'', diz.

Imagem ilustrativa da imagem Taxa de juros fica abaixo de 100% pela primeira vez
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