Taxa de juros do cheque especial bate recorde desde 2005
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sexta-feira, 09 de dezembro de 2011
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
Se por um lado, o governo federal reduziu a alíquota do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para pessoas físicas no início deste mês de 3% para 2,5% ao ano, por outro a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) anunciou ontem que a taxa de juros do cheque especial voltou a subir, atingindo 8,41% ao mês (163,53% ao ano) em novembro. O valor é o maior desde fevereiro de 2005, o que mostra que os consumidores devem ficar em alerta quando utilizarem este tipo de serviço.
Além do cheque especial, os juros do empréstimo pessoal também subiram: de 4,31% em outubro para 4,39% em novembro, atingindo o patamar salgado de 67,46% ao ano nesta modalidade. O único que se manteve estável no período foram os juros do cartão de crédito, com 10,69% ao mês. A taxa é a maior desde junho de 2000, quando estava em 10,70%.
Mauro Rochlin, economista e professor da Isae/FGV, explica que a tendência natural é que quando a Taxa Selic apresenta decréscimo (12,5% para 11% nos últimos meses) seria natural que as outras taxas de juros também caiam quando não avaliados outros fatores. ''O aumento do juros do cheque especial aponta uma postura defensiva dos bancos em relação aos clientes. Até porque nesta modalidade o banco não tem a menor garantia de que irá receber pelo empréstimo'', avalia.
Rochlin ressalta de que este aumento dos juros está na contramão do que o governo está realizando com a diminuição do IOF. ''Com a redução do IOF, a ideia do governo é deixar o crediário mais barato. Em contrapartida, as instituições financeiras não estão agindo desta forma''.
Antonio Colângelo, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, ressalta que o consumidor deve ficar bem atento a estes juros. Ele diz que quem está devendo aos bancos deve aproveitar o final de ano para quitar tais dívidas imediatamente. ''Em alguns casos, talvez seja interessante buscar um empréstimo consignado mais barato para liquidar o cheque especial, já que não é fácil as pessoas conseguirem parar de utilizá-lo depois que emprestam''.
O especialista relata ainda que o início de ano é sempre complicado já que é um mês com acúmulo para pagamento de impostos. ''Não adianta, é preciso segurar o consumo neste início de ano, afastar a tentação dos gastos nas férias e liquidar as dívidas'', decreta Colângelo.
Além dos juros do cheque especial e empréstimos pessoais, os juros do comércio também apresentaram aumento de 5,44% em outubro para 5,46% em novembro. Durante o ano, o valor saltou de 88,83% para 89,26%.



