Taxa de juros ao consumidor subiu 4,1 pontos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Renata Agostini<br>Folhapress 
Brasília - A taxa média de juros cobrada do consumidor fechou 2013 em 38% ao ano, alta de 4,1 pontos percentuais frente ao registrado no ano anterior, informou o Banco Central ontem.
O aumento é superior ao promovido pelo governo na taxa básica de juros, a Selic. No período, ela passou de 7,25% para 10% ao ano, alta de 2,75 pontos percentuais.
A taxa de 38% refere-se ao crédito concedido a pessoas físicas com os chamados recursos livres, que excluem o crédito habitacional, o crédito rural e o concedido pelo BNDES.
A diferença de aumento frente à taxa definida pelo governo ocorre mesmo com o recuo verificado no juro cobrado do consumidor em dezembro. Houve queda de 0,5% para pessoas físicas e de 0,1% nas linhas oferecidas às empresas neste segmento.
O novo ciclo de aperto monetário promovido pelo BC - este mês houve novo reajuste na Selic para 10,5% - tem como objetivo controlar a inflação. Com os juros altos, fica mais caro tomar empréstimos e fazer compras parceladas. Ao aumentar a taxa básica, o governo busca desestimular o consumo e, assim, conter os preços.
No segmento de recursos direcionados pelo governo, contudo, o reflexo da alta da taxa básica de juros é bem diferente: no ano, ela subiu apenas 0,5 ponto percentual (p.p.), fechando 2013 em 7,5% ao ano. Em dezembro, ela se manteve estável, com pequena alta de 0,1% apenas nas linhas para as empresas.
Ritmo menor
O crédito total seguiu em expansão em 2013, mas em ritmo menor. O saldo de empréstimos chegou a R$ 2,715 trilhões, alta de 14,6% em 12 meses. Em 2012, o crescimento havia sido de 16,4%. Em dezembro, o aumento ficou em 2,4% frente ao mês anterior.
A expansão foi puxada pelos financiamentos com recursos direcionados, que possuem taxas mais vantajosas, cujo saldo cresceu 24,5% em 2012, frente alta de apenas 7,8% no crédito com recursos livres.
A diferença se manteve em dezembro, apesar de menor. Houve aumento de 3,3% no crédito com recursos direcionados frente ao mês anterior, enquanto a alta no crédito livre foi de 1,7%.
Com a manutenção do aumento do crédito, a relação entre o crédito e o Produto Interno Bruto (PIB) chegou a 56,5%, ante 55,5% em novembro e 53,9% em dezembro do ano passado.
Calote
Apesar da alta no custo dos empréstimos, a inadimplência segue sob controle. A taxa média de calote apresentou leve queda, chegando a 3%.
No segmento de recursos livres, ela se manteve estável, com pequena alta de 0,1 p.p. para pessoas físicas e queda de 0,2 p.p. para pessoas jurídicas. No crédito direcionado, houve queda de 0,1 p.p. na taxa média total.
O spread total - diferença entre o custo de captação e o valor cobrado do tomador de empréstimo - recuou 0,4 p.p., para 11,1 pontos percentuais.


