Curitiba - Apesar de o Banco Central (BC) ter voltado a elevar a taxa básica de juros (Selic) em abril, o crédito ao consumidor ficou praticamente estável no mês passado, principalmente por conta dos juros menores cobrados no cheque especial e no crédito pessoal. A taxa média de juros caiu 0,12 ponto percentual, de 24,42% ao ano em março para 24,3% em abril. O valor representa seu menor patamar desde novembro de 2012, quando era de 25,08% ao ano. Há um ano, a taxa média anual era de 29,3%.
Mas, com a provável continuidade da alta da Selic nos próximos meses, a tendência é que o crédito ao consumidor volte a ficar mais caro, segundo o chefe do departamento econômico do BC, Tulio Maciel. Segundo ele, a redução da inadimplência é o que explica a queda dos juros nesse segmento nos últimos meses.
A menor inadimplência provocou uma redução do spread - que é a diferença entre o custo de captação dos bancos e quanto ele cobra de juros dos seus clientes - nos últimos meses, possibilitando a redução dos juros, explicou Maciel.
O professor do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, disse que os juros vêm em tendência de queda também puxada por medidas da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Ele alertou que, apesar da queda de juros, as taxas ainda são extremamente altas, comparadas a outros países.
Curado lembrou que as taxas de juros começaram a cair no mundo com a crise financeira de 2008 e com o objetivo de estimular a economia de vários países. ''A taxa média de juros no Brasil de 24% ao ano é absurdamente alta. Deveria ser próximo de 4% a 5% ao ano'', destacou.
Ele acredita que o BC suba os juros em 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para a próxima semana. Segundo Curado, o efeito de um aumento ou redução de juros demora cerca de seis meses para chegar ao consumidor final.
Neste momento, as dicas dele para o consumidor são sempre planejar muito os gastos e dar preferência para as compras à vista. Quando isso não for possível, a sugestão é procurar as menores taxas e não financiar no rotativo do cartão de crédito e no cheque especial, que são os maiores valores cobrados no mercado. Segundo ele, as alternativas seriam o Crédito Direto ao Consumidor e o empréstimo consignado.
O vice-presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, disse que a tendência é que, no curto prazo, as taxas subam mais. Ele também prevê alta de 0,25 pontos percentuais dos juros na semana que vem e outras duas altas de 0,25 p.p. ainda neste ano. ''Os juros devem cair só em 2014 ou quando a inflação ficar mais comportada. A dica dele para o consumidor é pesquisar muito e optar por taxas menores como o penhor da Caixa e o crédito consignado. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Taxa de juros ao consumidor é a menor dos últimos cinco meses
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