Taxa de juros ainda precisa ser alta, defende FGV
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terça-feira, 08 de julho de 2003
Agência Estado 
Rio A taxa de juros tem de ser mantida alta enquanto os investimentos estiveram baixos, defendeu ontem o diretor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), Antônio Carlos Pôrto Gonçalves, em palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Segundo ele, em caso contrário, a demanda aumentaria esbarrando na falta de capacidade de produção devido à ausência de investimento, o que geraria inflação. ''O problema dos últimos vinte anos, de relativa estagnação, não parece ser de falta de demanda, e sim de investimento'', disse.
Gonçalves lembrou que 12 dos 19 setores pesquisados pela última Sondagem Industrial da FGV, em abril, estavam operando em sua capacidade de produção máxima. No entanto, apenas 30% das empresas pesquisadas declararam que pretendem investir em aumento da capacidade produtiva.
De acordo com ele, a incerteza causada pelas indefinições estratégicas e regulatórias somada à elevada carga tributária inibem mais o investimento do que as altas taxas de juros. ''A taxa de juro relevante para investimento é a do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que é bem mais baixa que a Selic (taxa básica de juros determinada pelo Banco Central) e está sobrando dinheiro no BNDES. Ninguém pega. Por que? Porque ninguém é louco de investir nessa incerteza toda'', diz.


