Taxa de investimentos recuou 3% no período
Rio de Janeiro - Além da estagnação da indústria num patamar alto de produção, a retração dos investimentos também contribuiu para o baixo patamar de crescimento da economia. A taxa de investimentos caiu 3% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores.
Segundo o ex-diretor do Banco Central e professor do Ibmec, Carlos Thadeu de Freitas, após nove meses de aperto monetário, a economia começou a responder à política monetária promovida pelo BC. ''Juros altos inibem investimentos e com uma perspectiva de crescimento menor da economia, o empresário não vê vantagens em investir'', disse.
Nem mesmo a taxa de câmbio favorável às importações de máquinas e equipamentos deverá ser capaz de alavancar a taxa de investimentos, na avaliação de Freitas. ''Este é um efeito que ocorre normalmente quando o real sofre apreciação, mas desta vez o empresário teme os efeitos da alta dos juros sobre a demanda'', afirmou.
Segundo a economista Sandra Utsumi, indicadores antecedentes como as exportações de bens de capital, estoques e até mesmo as expectativas dos setores produtivos já adiantavam a queda dos investimentos. Esta é a segunda queda consecutiva na comparação com o trimestre anterior. No quarto trimestre de 2004, os investimentos recuaram 3,9%.
''A série de investimento é altamente volátil e, depois de crescer por dois trimestres seguidos (segundo e terceiro do ano passado), há um movimento natural de acomodação aliado à redução da confiança do empresário com as incertezas em relação à demanda'', afirma Maia.
Um dos fatores mais festejados no crescimento econômico de 2004, o consumo das famílias, já começa a dar sinais de arrefecimento. Mesmo com a expansão do crédito e o desempenho do mercado de trabalho, houve queda de 0,6% no consumo das famílias no primeiro trimestre. No último trimestre do ano passado, houve alta de 0,8%. (Folhapresss)





