Taxa de investimento do PIB deve subir 2,2%
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Adriana Chiarini<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Os investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de 2007 a 2010 para cinco setores devem elevar a taxa de investimento (Formação Bruta de Capital Fixo - FBCF) em 2,2% do PIB, de acordo com o estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O estudo da instituição financeira federal considera apenas o efeito direto dos investimentos nos setores de petróleo e gás, energia, habitação, saneamento e ferrovias.
O trabalho tem como premissa a realização integral de investimentos de R$ 411,6 bilhões, previstos no PAC nesses setores até 2010. Pesquisadores da Secretaria de Assuntos Econômicos (SAE) do BNDES, levantaram os investimentos nesses mesmos setores entre 2002 e 2005, encontrando um total de R$ 177,1 bi, atualizados para preços de 2006.
A diferença entre os investimentos do primeiro período para o segundo seria de 132,4% ou 18,4% por ano em média. ''É uma taxa muito expressiva'', disse o superintendente da SAE, Ernani Torres. Os R$ 177,1 bi de investimento realizado de 2002 a 2005 pelos setores estudados correspondia a 2,38% do PIB daquele período. Enquanto os R$ 411 bi para de 2007 a 2010, devem equivaler a 4,54% do PIB do período. A diferença entre os dois dá a taxa de expansão de investimento esperada, de 2,2% do PIB.
Juntos, os cinco setores objeto do estudo representam 82% do total de investimentos do PAC, que é de R$ 509,3 bi. O programa não se restringe a recursos do governo e de estatais, inclui também dinheiro que viria do setor privado.
O superintendente da SAE, Ernani Torres, lembra que a FBCF já está aumentando, tendo subido de 17,8% do PIB em 2003 para 19,9% do PIB em 2005. Para este ano, a SAE usa a estimativa de 20,5%. ''Estamos em um momento de aceleração do crescimento. O PAC se soma a isso'', disse. Assim, a expansão da taxa de investimento total pode ser ainda maior que a de 2,2% do PIB prevista pelo BNDES para os setores escolhidos. Torres lembra que há uma relação forte entre os crescimentos do investimento e da renda, mas a equipe do banco não chegou a estudar o impacto na expansão do PIB.
Torres considera que o PAC é significativo, não só porque ''R$ 503 bi é muito dinheiro'', mas também porque acredita que tem um efeito de ''sinalização'' para atrair outros investimentos. ''O PAC é um plano de investimento do principal investidor do Brasil. Há mais de uma década, talvez duas décadas que não há uma coisa dessas'', afirmou.
O estudo está publicado no boletim do BNDES ''Visão do Desenvolvimento'', de número 24, divulgado ontem.


