Rio de Janeiro - A taxa de investimento no País chegou a 19,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre, maior nível desde 2001 para o mesmo período, mas pouco abaixo dos 20,2% do segundo semestre do ano passado. O dado foi revelado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou o valor do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre: R$ 918,6 bilhões, dos quais R$ 183,1 bilhões em investimentos.
Depois de duas quedas trimestrais sucessivas, o volume de investimentos voltou a registrar crescimento real (4,5%, descontada a inflação) no segundo trimestre, ante o primeiro, conforme divulgado pelo IBGE no fim de agosto. Os desempenhos dos investimentos e da indústria (3% de crescimento, na mesma comparação) levaram à elevação de 1,4% do PIB de abril a junho, ante os três meses anteriores.
Para o terceiro trimestre, a expectativa dos analistas, contudo, é de desaceleração do crescimento. O economista da LCA Consultores Bráulio Borges projeta expansão de 0,7% do PIB sobre o segundo trimestre. Para 2005, a LCA espera crescimento de 3,5% do PIB. O Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) manteve projeção mais alta, de 3,7%, no boletim recém-divulgado.
A consultoria LCA espera taxa de investimentos em torno de 20% este ano. A estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para a taxa é de 20,6% em 2005 e 21,2% em 2006. Cláudia Dionísio, da cordenação de Contas Nacionais do IBGE, disse que ''o investimento, em termos nominais, cresceu acima do PIB (no segundo trimestre)'', o que eleva a taxa.
Ela informou que, sem descontar a inflação, enquanto a economia cresceu 10% no segundo trimestre (ante o mesmo período em 2004), o valor dos investimentos subiu 16%. Com isso, a taxa de investimento, que no segundo trimestre do ano passado foi de 19%, subiu para 19,9% este ano, mais alta para o mesmo período nos anos anteriores desde 1997 (20,4%).
Ontem, o IBGE apresentou os valores do conjunto de riquezas do País, divididos pela demanda e pelos setores. Na ótica da demanda, o consumo das famílias somou R$ 515,8 bilhões; o consumo do governo, R$ 162,5 bilhões; exportações de bens e serviços, R$ 156,8 bilhões; importações, R$ 117,7 bilhões (estes valores entram com sinal negativo na conta porque representam riquezas obtidas em outros países); e variação de estoques (R$ 14,2 bilhões). Pelos setores, o PIB dos serviços somou R$ 462 bilhões no primeiro semestre, o da indústria, R$ 321,6 bilhões, e o da agricultura, R$ 78,1 bilhões.

mockup