Rio de Janeiro - A taxa de investimentos da economia fechou o primeiro semestre em 18,9%, maior índice desde 2001, quando ficou em 20,2%. Os investimentos tiveram crescimento real (descontada a inflação) de 6,8% e somaram R$ 154,7 bilhões - quase R$ 10 bilhões (em valores ajustados) acima do período em 2003. Já o Produto Interno Bruto (PIB) somou R$ 816,8 bilhões no semestre, conforme os dados divulgados hoje (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nos primeiros seis meses de 2003, a taxa de investimento havia sido de 17,9% - o crescimento foi de um ponto porcentual. Houve um avanço, mas o indicador está abaixo, ainda, da média entre 1994 e 2001 (20,5%) e do desejável para um crescimento anual sustentado da economia, segundo economistas. No primeiro trimestre de 2004 a taxa foi de 19,3% e no segundo ficou em 18,6%. Segundo o IBGE, as duas taxas, por questões de sazonalidade, não devem ser comparadas.
''O quadro é de recuperação gradual. O que interessa é a idéia de que temos de partir de uma taxa de investimento inferior a 20% para chegar a uma taxa entre 23% e 25% e isso vai ser um processo lento. Isso não vai mudar substancialmente de um ano para outro ou de um trimestre para outro'', comentou o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fábio Giambiagi.
O diretor da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), Renato Baumann, explica que as taxas de investimento da região estão abaixo das médias recentes. ''De modo geral, as taxas estão bem abaixo do nível histórico do ponto de máximo, que passou dos 20%, o que ainda é bem inferior ao padrão asiático, acima dos 30%'', comentou Baumann. No seu último boletim, o Ipea calculou que, para o PIB crescer 5% ao ano, a taxa deveria ser de 25%.
Financiamento - Os dados do IBGE também mostraram que o País teve no primeiro semestre uma capacidade de financiamento (saldo entre captações e pagamento de compromissos no exterior) de R$ 14,8 bilhões. Isso é explicado, basicamente, pelo aumento de R$ 14,9 bilhões no saldo das exportações de bens e serviços no período com relação ao primeiro semestre do ano passado. Este saldo foi de R$ 38,9 bilhões em 2004. De forma simplificada, as exportações estão cobrindo, com sobras, as necessidades de financiamento da economia.
Isoladamente, a capacidade de financiamento do segundo trimestre foi de R$ 9,6 bilhões, maior valor para o mesmo trimestre da série iniciada em 1994. ''Não houve necessidade de financiamento, houve capacidade'', explicou a técnica de Coordenação de Contas Nacionais do IBGE. Adriana Beringuy, citando que os recursos foram em parte usados para a amortização de dívidas, públicas e privadas. No segundo semestre, houve um pagamento total de compromissos de R$ 16,98 bilhões, dos quais R$ 4,23 bilhões foram para amortizações no Fundo Monetário Internacional (FMI).
No primeiro semestre, a taxa de poupança bruta cresceu mais uma vez e chegou a 24,1%, mais alta para os 6 primeiros meses do ano desde 1994. De maneira geral, a poupança bruta é o que sobra dos recursos nacionais para investimento, amortização de dívidas ou apenas estoque dos recursos nacionais. O diretor da Cepal explica que esta taxa indica melhoria das contas nacionais e tende a melhorar as classificaçãoes dados ao País pelas agências de risco e o custo de captações externas.

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