Taxa de inflação cai pela metade para as famílias de classe média
Arquivo FolhaHora de respirarO presidente da Fipe, Juarez Rizzieri, que esteve em Curitiba ontem para a apresentação da nova pesquisa: inflação menor mostra que auge da crise cambial já passouDepois de sofrer os efeitos de uma inflação de 1,4% em fevereiro, as famílias que pertencem à classe média, em Curitiba, tiveram de enfrentar um impacto mais ameno no mês passado. O custo de vida foi de 0,7% em março, o que representou uma queda de 50% sobre o mês anterior. O índice inflacionário foi registrado pela Faculdade de Administração e Economia (FAE) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que apontaram ainda uma inflação acumulada de 2,6%, no ano.
Os dados sobre o custo de vida foram divulgados ontem no lançamento do Índice de Preços ao Consumidor da Classe Média de Curitiba (IPC-CM). A apresentação da pesquisa, que passará a ter divulgação mensal, contou com a participação do presidente da Fipe, Juarez Rizzieri.
O presidente da Fipe disse que o recuo do crescimento da inflação demonstra que o auge da crise cambial já passou. O medo da população em gastar o salário mensal e os elevados índices de desemprego também serviram para segurar os índices inflacionários. A demanda desaquecida e as altas taxas de juros fizeram com que houvesse uma retração na inflação, afirmou Rizzieri.
O período de safra agrícola também contribuiu para frear o custo de vida. Se a inflação tivesse estourado na época da crise asiática teríamos o caos, mas a safra segurou um pouco os índices, disse Rizzieri.
Mesmo assim, o presidente da Fipe prevê um aumento da inflação para abril e maio devido à chegada do inverno, quando há um aumento no preço do vestuário. A possibilidade de haver um novo aumento do combustível também deve pesar no cálculo da inflação para os próximos meses.
Na pesquisa de março, o item alimentação foi o que mais pesou no bolso da classe média, com uma contribuição de 2,2% sobre o índice total. Em seguida está o item saúde e cuidados especiais (1,8%) e habitação (0,2%). Quem faz as refeições em casa percebeu mais o aumento dos preços em relação a quem come em restaurantes, que ainda não repassaram a totalidade da inflação para o preço da comida. A alimentação domiciliar ficou 8,4% mais cara, enquanto fora de casa o aumento foi de 0,9%.
O custo de vida mensal da FAE/Fipe para a classe média leva em conta a renda familiar entre 10 e 40 salários mínimos. A variação quadrissemanal corresponde ao índice dos últimos 30 dias. Carmem Murara





