Curitiba - A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,7% em março. Este foi o menor percentual para um mês de março desde o início da série histórica da pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2002. Na comparação com março do ano passado (6,2%), o índice é 0,5 ponto percentual menor. Em relação a fevereiro deste ano, a taxa ficou estável. No mês passado, a população desocupada totalizou 1,4 milhão de pessoas no País.
No primeiro trimestre do ano, um dos setores que teve maior crescimento no rendimento médio real dos trabalhadores foi a construção civil, que registrou elevação nos salários de 5%. Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) que é realizada nas regiões metropolitanas do Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.
Para o vice-presidente de política e relações do trabalho do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-PR), Armando Bosco Martins Ribeiro, o resultado da pesquisa do IBGE ainda reflete o ganho salarial que os trabalhadores conquistaram no ano passado que foi de 9% nos salários e 10,5% nos pisos. No entanto, ele acredita que neste ano os trabalhadores terão ganho real menor que em 2012, reflexo do setor ter crescido menos no ano passado (1,4%) do que em 2011 (3,6%). Segundo ele, a queda foi provocada porque o mercado de imóveis começa a se acomodar depois de atender ao maior volume de demanda para compra da casa própria.
Para o economista e conselheiro do Corecon-PR, Eduardo André Cosentino, a redução da desocupação é reflexo das políticas públicas do governo federal para a criação de novos empregos. Entre os motivos que levaram à abertura de novas vagas, segundo ele, estão a formalização através do programa do microempreendedor individual, o aumento do índice de empreendedorismo no Brasil, o grande volume de empregos nas micros e pequenas empresas e o maior acesso ao ensino superior. Além disso, os investimentos de empresas internacionais no País têm aberto novas vagas. O turismo também vem empregando mais trabalhadores. Ocorreram ainda mais contratações através de concursos públicos e a Copa do Mundo também movimenta o mercado de trabalho. Ele acredita que a tendência é continuar o crescimento do emprego, mas não em um ritmo tão acelerado por conta do cenário internacional e da inadimplência no mercado interno.
Para o coordenador do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Maurílio Schmitt, por outro lado, a diminuição da taxa de desocupação gera preocupações. Segundo ele, com isso, a indústria tem cada vez mais dificuldade de encontrar mão de obra qualificada. ''A demanda de trabalhadores na construção civil de maneira exacerbada cria dificuldades para a contratação de mão de obra em outros setores como a indústria'', disse.
Schmitt disse que o lado positivo da diminuição da desocupação é o aumento da massa salarial e a consequente demanda maior por bens e serviços, o que ajuda a movimentar a economia. O problema, segundo ele, é que o governo investiu muito em expansão de crédito para consumo e pouco na produção industrial.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Curitiba, André Luiz Pellizzaro, acredita que este cenário de ocupação de mercado de trabalho mantém, por enquanto, o consumo. Mas, ele defende medidas mais efetivas para estimular a economia e, consequentemente, o consumo e a renda. ''O IPCA já ultrapassou a meta governamental de 6,5% para a inflação anual'', lembrou. Para ele, isso é preocupante, ou seja, ''acende-se a luz amarela''.

Imagem ilustrativa da imagem Taxa de desocupação foi de 5,7% em março
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