Taxa de desocupação fica estável em abril
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O nível de emprego avançou em abril sobre março nos setores de construção (1,7%), educação, saúde e administração pública (1,3%) e comércio (1%), o que contribuiu para que a taxa de desocupação ficasse estável e fechasse o mês em 5,8%, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, os grupos de atividades ajudaram a manter a tendência ao pleno emprego para o País, dizem especialistas ouvidos pela FOLHA. No entanto, fica o alerta sobre a necessidade de se aplacar o fantasma da inflação para não corroer o salário do trabalhador.
A taxa de desocupação do trabalhador brasileiro foi de 5,8% em abril, o menor do mês desde 2002 e índice considerado estável, tanto sobre o mesmo mês de 2012, quando foi de 6%, quanto em relação aos 5,7% de março deste ano. No mesmo período, o rendimento médio habitual também manteve pouca variação, ao passar de R$ 1.833,27 em abril do ano passado para R$ 1.862,40 no mesmo mês deste ano, uma diferença de 1,6%.
De março para abril, o emprego caiu mais no setor de outros serviços, que inclui turismo e hotelaria e fechou 77 mil vagas, o equivalente a uma queda de 1,9%. Em serviços domésticos, houve retração de 1,1%, ou menos 16 mil postos de trabalho.
Resultados que não foram suficientes para ameaçar o bom momento pelo qual passa o mercado de trabalho. O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), afirma que as perspectivas para 2013 não estão claras, mas que, por enquanto, não há risco de desemprego. "A tendência é até de aumento (de contratações) por questões sazonais, como ocorre sempre no segundo semestre", diz. Ele destaca que ainda há falta de mão de obra qualificada no Brasil.
Para o delegado da regional de Londrina do Conselho de Regional de Economistas (Corecon), Laércio Rodrigues de Oliveira, faltam condições para elevar a produtividade da indústria no País. "Aumenta o acesso aos postos de trabalho, há crescimento de renda das famílias e de demanda, mas vivemos um modelo baseado em consumo, e não em produção", afirma. Essa tendência ao pleno emprego gerou desigualdade entre a demanda e a oferta por produtos e serviços, o que gera inflação.
Juros
Como a inflação para os últimos 12 meses está em 6,46%, conforme divulgado anteontem pelo Índice de Preços ao Consumidor-15 (IPCA-15), o aumento do rendimento médio habitual de 1,6% de abril e 2012 para o mês passado fica defasado. Zurcher diz que o Banco Central pretende bater na inflação, o que indica aumento da taxa básica de juros, a Selic. "Vai diminuir a demanda e o consumidor vai continuar a comprar, mas vai precisar economizar para fugir do crédito mais caro", prevê. Oliveira, porém, alerta que juros mais altos aumentam a dívida interna do País. "Não creio que vá mexer na Selic antes de setembro, porque está queimando outros cartuchos antes, com as desonerações." (Com Folhapress)



