Taxa de desocupação atinge recorde e chega 8,3%
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terça-feira, 25 de agosto de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
Uma combinação da maior procura por trabalho sem a geração de novas vagas fez o número de desocupados no Brasil chegar a 8,4 milhões de pessoas e levou a taxa de desemprego atingir 8,3% no segundo trimestre deste ano. Este é o maior patamar desde o início da série histórica em 2012. No mesmo período do ano passado, a taxa tinha sido de 6,8%. No primeiro trimestre deste ano, a taxa era de 7,9%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) e foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar de ter índices menores que a média nacional, a desocupação no Paraná vem em um processo crescente e mostra que o Estado também foi fortemente atingido pelo cenário econômico do País. No segundo trimestre de 2014, a taxa de desocupação no Estado era de 4,1%, passou para 5,3% nos três primeiros meses deste ano e, agora no segundo trimestre de 2015, chegou a 6,2%.
"O Paraná não é uma ilha. Tem uma estrutura produtiva mais diversificada e mais resistente à crise, mas não imune", disse o economista e professor da FAE Business School, Gilmar Mendes Lourenço. Ele lembrou que o Estado passou por uma diversificação da economia nos últimos anos, o que o tornou um pouco mais resistente às crises. Hoje, cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado é representado pelo agronegócio.
Lourenço disse que a taxa atual de desocupação no País é consequência da recessão que se instalou na economia desde o ano passado. Segundo ele, isso foi intensificado com o ajuste fiscal do governo federal e o aumento dos juros. "O fundo do poço ainda não chegou para a economia como um todo", avaliou. Ele prevê que o desemprego pode aumentar e chegar a até 9% no final do ano. "Não há medidas importantes do governo federal para reverter o quadro", disse. Para ele, a crise atual é muito mais grave que a de 1930 e 1931, quando o Brasil sofreu os efeitos negativos da quebra da Bolsa de Nova York. "Essa crise atual é muito mais grave que aquela porque a economia é mais diversificada e deveria estar mais integrada aos circuitos internacionais", explicou.
O presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, disse que o recorde que atingiu a taxa de desocupação já era esperado. Para ele, a explicação para o aumento da desocupação está ligada ao aumento da População Economicamente Ativa (PEA) associada à dificuldade da economia de gerar postos de trabalho. "A PEA aumentou porque os salários não crescem e outras pessoas da família saem a procura de emprego", explicou. Além disso, a renda vem sendo corroída pela inflação. Ele também prevê que a desocupação pode piorar se a recessão se estender até 2016.
Segundo ele, os segmentos com maior perda de vagas são os com salários mais baixos. Ele acredita que isso justifica a média salarial ter caído apenas 0,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro e ter crescido 1,4% na comparação com o segundo trimestre de 2014. O rendimento real médio no Brasil foi de R$ 1.882 no segundo trimestre de 2015.
No Paraná, o rendimento médio real no segundo trimestre foi de R$ 2.060,76, contra R$ 2.107,22 no primeiro trimestre do ano. No segundo trimestre de 2014, o rendimento no Estado era de R$ 2.055,50. O rendimento no Estado de abril a junho só perdeu para o Distrito Federal (R$ 3.555,01) e para São Paulo (R$ 2.493,51). Lourenço acredita que o rendimento no Estado está associado ao mercado de trabalho mais dinâmico que o resto do País.
O nível da ocupação (indicador que mede a parcela da população ocupada em relação à população em idade de trabalhar) foi estimado em 56,2% no 2º trimestre de 2015, permanecendo estável frente ao trimestre anterior e apresentando queda em relação ao 2º trimestre do ano passado (56,9%).
A população ocupada foi estimada em 92,2 milhões, e ficou estável frente ao trimestre imediatamente anterior. No 2º trimestre de 2015, 78,1% dos empregados no setor privado tinham carteira de trabalho assinada, percentual estável em relação ao trimestre anterior e a igual trimestre de 2014.


