Taxa de desemprego sobe para 10,6%
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quarta-feira, 23 de março de 2005
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A taxa de desemprego apurada nas seis principais regiões metropolitanas do País subiu para 10,6% em fevereiro, ante 10,2% em janeiro. Apesar da elevação, houve melhora na qualidade do mercado de trabalho, com reação mais forte do emprego formal e do rendimento dos trabalhadores. O número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 5,9% em fevereiro ante igual mês do ano passado, a maior expansão da série histórica da pesquisa do IBGE, iniciada em março de 2003.
O coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo Pereira, disse que é típico do segundo mês do ano o aumento da taxa e sublinhou que o desemprego permanece em níveis bem inferiores aos registrados no ano passado. Em fevereiro de 2004, a taxa havia atingido 12%.
Além disso, ele explicou que a taxa teria ficado estável ante janeiro na média das seis regiões caso não tivesse ocorrido o aumento da taxa no Rio de Janeiro (7,4% em janeiro para 8,4% em fevereiro), por causa da ''dispensa retardada de temporários'', que costuma acontecer em janeiro mas, com o carnaval, foi adiada para fevereiro e elevou a taxa na região.
Os números do IBGE foram recebidos com otimismo também por analistas do mercado de trabalho. Para Marcelo de Ávila, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), ''está de fato ocorrendo um aumento qualitativo do mercado de trabalho'', com crescimento do emprego formal. Para os economistas do Bradesco, em relatório sobre a pesquisa, os dados mostram que ''o mercado de trabalho continua aquecido''.
Apesar da melhora, o número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) chegava a 2,3 milhões nas seis regiões em fevereiro deste ano, número ainda elevado apesar da queda de 9,4% ante igual mês do ano passado (2,6 milhões de pessoas).
Por outro lado, o número de ocupados cresceu em 698 mil pessoas de fevereiro do ano passado até igual mês de 2005. O grupo dos desocupados continua grande, apesar do aumento da ocupação (3,7% ante fevereiro 2004) porque não estão sendo geradas vagas suficientes para absorver todos os que procuram emprego mas, como destacou Pereira, a qualidade dos postos de trabalho gerados está melhorando.
Ele sublinhou, como principal exemplo dessa melhora, o aumento no emprego formal, que acabou tendo reflexos positivos sobre o rendimento médio real nas seis regiões. O número de empregados com carteira aumentou em 438 mil pessoas nas seis regiões de fevereiro do ano passado para igual mês deste ano. O saldo de novos empregos informais foi bem menor, de 34 mil pessoas. Isso porque, apesar do crescimento de 5,7% no número de trabalhadores sem carteira assinada ante fevereiro de 2004 (aumento equivalente a 164 mil pessoas), houve queda de 3,3% no número de trabalhadores por conta própria (como camelôs) nessa base de comparação (ou menos 130 mil pessoas). Como o IBGE considera o emprego informal a reunião dos sem carteira e dos conta própria, o saldo foi de 34 mil no período.


