A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 7,45% em outubro, caiu pelo terceiro mês consecutivo. Somente em fevereiro houve um percentual mais baixo (7,42%). Apesar disso, o desemprego do mês passado foi o mais alto já verificado em um mês de outubro, desde que o IBGE iniciou sua pesquisa de emprego, em 1983. Na verdade, o ano de 1998 deverá ser marcado pelos piores resultados registrados no Brasil em relação ao mercado de trabalho.
A técnica do IBGE Shyrlene Ramos de Souza, ao divulgar ontem a pesquisa, previu que a taxa média de desemprego este ano ficará em torno de 7,5%, a mais alta da série histórica deste índice, embora as expectativas sejam de arrefecimento no corte de postos de trabalho nestes últimos meses do ano. Antes de 98, a taxa mais desfavorável ocorreu em 1984, quando o desemprego médio do ano situou-se em 7,1%.
A comparação entre 84 e 98 evidencia a profunda alteração pela qual passou a indústria de transformação como empregadora: em 84, o desemprego médio no ano no setor industrial ficou em 6,9%, portanto abaixo da taxa média global. Em 98, de janeiro a outubro o desemprego acumulado na indústria de transformação já alcança 9,1%.
No entender de Shyrlene Ramos de Souza, o alívio sobre o mercado de trabalho que sempre ocorre no final do ano ajudará a amenizar o impacto dos efeitos da crise econômica. No primeiro trimestre do ano que vem, entretanto, os efeitos serão plenamente sentidos, disse ela, que não quis arriscar uma estimativa para as taxas de janeiro, fevereiro e
março, meses em que normalmente o desemprego já cresce tradicionalmente.
A pesquisa do IBGE, que abrange apenas as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Salvador, Recife e Porto Alegre, mostra que em outubro o desemprego na indústria de transformação foi de 8,69%, pouco superior ao de setembro (8,63%) e muito acima do apurado em outubro de 97 (6,79%). Na construção civil a redução no nível de emprego passou de 8,72% para 9,56% de um mês para o outro e no comércio recuou de 7,78% para 7,71%. Serviços apresentou 6,01% em outubro, e 6,21% em setembro.
No conjunto das seis regiões, o contingente de Pessoas Economicamente Ativas (PEA) caiu 0,4% em relação a setembro. Este percentual equivale a cerca de 72 mil pessoas.
Segundo a técnica do IBGE Shyrlene Ramos de Souza houve simultaneamente um aumento de 1,3% na quantidade de pessoas fora da força de trabalho, o que pode ser atribuido à elevação no número de aposentadorias, causada pela reforma da Previdência Social. ‘‘Quem podia, procurou aposentar-se logo por medo das mudanças’’, assinalou.
De janeiro a outubro, a PEA cresceu 1,96% e o número de pessoas trabalhando caiu 0,2% no mesmo período. ‘‘Entrou muita gente no mercado de trabalho, que não pode ser absorvida’’, diz a técnica.

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