Taxa de desemprego no País cai a 7,4% em junho, calcula o IBGE
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terça-feira, 25 de julho de 2000
Agência Folha Do Rio 
O número de pessoas ocupadas em junho deste ano cresceu 3,9% em relação a junho de 99, o que corresponde à criação de mais de 650 mil postos de trabalho, segundo dados divulgados ontem no Rio pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Apesar disso, a taxa de desemprego média nos primeiros seis meses deste ano é de 7,8%, igual à do primeiro semestre do ano passado. Isso ocorre, segundo a consultora do Departamento de Emprego e Rendimento do IBGE, Shyrlene Ramos, porque os novos postos de trabalho ainda não atendem ao aumento, nesse período, do número de pessoas procurando emprego.
Em relação a maio deste ano, a taxa de desemprego de junho caiu um pouco, de 7,8% para 7,4%, mas isso aconteceu porque diminuiu em 5,6% o número de pessoas em busca de emprego.
Entre os dois meses, não houve alteração na quantidade de postos de trabalho nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE. Segundo Shyrlene Ramos, isso se deve a fatores sazonais. De maio para junho, São Paulo foi a região que apresentou a maior queda do desemprego (de 8,4% para 7,8%), seguida do Rio de Janeiro (6% para 5,5%).
Mesmo com a redução de 0,4 pontos percentuais em relação a maio, a taxa de desemprego de junho ainda é a quarta maior para este mês desde 1983, inferior apenas às de junho do ano passado (7,8%), junho de 98 (7,9%) e junho de 84 (7,6%).
Nesses 17 anos em que o IBGE vem medindo o desemprego mensalmente (o único ano em que isso não ocorreu foi 92), as taxas mais baixas de junho ocorreram em 86 (3,8%), 89 (3,4%) e 88 (3,9%). Depois do Plano Real, a menor taxa de junho foi a de 95 (4,6%).
Mesmo com a queda de junho, a taxa de desemprego ainda está alta e isso pode ser exemplificado pelo fato do dado semestral estar igual ao do ano passado, disse Shyrlene Ramos. Segundo ela, apesar dos recentes indicadores positivos sobre o crescimento econômico do País, a área de emprego é a que tradicionalmente tem a recuperação mais lenta.
Para o economista Marcelo Néri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os dados do IBGE são resultado do grande número de pessoas que, acreditando na retomada da economia, voltaram a procurar emprego.
Ele aponta como uma das boas notícias da pesquisa de junho a redução do tempo de procura por trabalho, em relação ao mesmo mês do ano passado. Esse tempo médio foi de 19,7 semanas este ano, contra 24,7 semanas em 1999. O economista também destaca o crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada, de 1,6% em comparação com junho do ano passado.
Desde os anos 80 não havia crescimento da ocupação formal, disse ele. No mesmo período, o número de empregadores sem carteira assinada aumentou 7,4% e o dos trabalhadores por conta própria, 4,3%.
O IBGE também divulgou dados de maio sobre a renda dos trabalhadores. A renda média praticamente não sofreu alteração (0,2%) em comparação com maio do ano passado. Houve queda desse indicador em Salvador (-3,8%) e em São Paulo (-1,3%) e aumento em Porto Alegre e Recife (em torno de 5,5%) e em Belo Horizonte (2%).
A consultora do Departamento de Emprego e Rendimento do IBGE previu que vão haver novas pequenas reduções da taxa de desemprego nos próximos meses, porque a economia costuma se aquecer no segundo semestre, no comércio e na indústria. Mas não será nada significativo, disse. Shyrlene Ramos disse que 2000 deve fechar com uma taxa de desemprego apenas um pouco menor do que a do ano passado.


