Curitiba - A taxa de desemprego ficou em 5,2% em outubro nas seis principais regiões metropolitanas do País e muito pouco abaixo do índice de 5,4% verificado em setembro. O resultado, que foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ocorre em meio a uma economia com menor ritmo de crescimento e com o consumo das famílias menos intenso em relação a anos anteriores.
Para o economista e professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e da Universidade Estácio, Daniel Poit, a variação de 0,2 ponto percentual verificada entre setembro e outubro é muito pequena para ser comemorada como uma diminuição no nível de desemprego. Para ele, o resultado de outubro pode ser considerado como estabilidade.
Poit disse que o aumento que o governo promoveu nos juros foi um dos aspectos mais negativos para a economia neste ano. "As indústrias teriam que realizar investimentos na atualização do parque industrial para melhorar a competitividade e gerar empregos. Mas, para isso, é necessário reduzir os juros", disse.
Apesar da pequena queda de 0,2, a taxa de desemprego de outubro é a mais baixa para o mês desde o início da série histórica da pesquisa, em 2002. Também é a menor taxa registrada neste ano. Em dezembro de 2012, o desemprego tinha ficado em 4,6%. Na comparação com outubro de 2012, houve queda apenas na ocupação em serviços domésticos (-8,4%). Para Poit, isso pode ser efeito da nova legislação que foi criada para estes trabalhadores. A pesquisa é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.
Porém, o emprego já não mostra o mesmo vigor de meses e anos anteriores e cresce numa intensidade mais moderada. De setembro para outubro, houve estabilidade em 23,3 milhões de pessoas ocupadas. Já em relação a outubro de 2012, também não ocorreu variação expressiva. Para Poit, a estabilidade no emprego é preocupante porque há a entrada de jovens no mercado de trabalho e a permanência de pessoas mais velhas que não se aposentam em função dos baixos rendimentos da aposentadoria. Com isso, a tendência é uma redução do número de vagas no mercado de trabalho em geral.
O emprego só não está mais frágil porque setores como comércio e serviços, que geram proporcionalmente muitos postos de trabalho, têm surpreendido nos últimos meses e crescido acima das expectativas. "A demanda por serviços e comércio é muito grande", disse o economista.

Rendimento
O rendimento do trabalhador também teve uma pequena queda de 0,1% no País em outubro na comparação com setembro e ficou em R$ 1.917,30. Em relação a outubro de 2012 houve expansão de 1,8%. Para Poit apontar o percentual de 0,1 como queda ainda é um pouco precipitado.
Ele acredita que a estabilidade da taxa de desemprego deve se manter no curto prazo e depois vai depender do resultado das eleições presidenciais. Mas, destacou que há a necessidade de investimento maciço e rápido na qualificação e capacitação do trabalhador brasileiro. (Com agências)

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