Taxa de desemprego fica em 12% no trimestre até novembro
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sábado, 30 de dezembro de 2017
Vinicius Neder<br>Agência Estado 

Rio - A taxa de desocupação no Brasil ficou em 12% no trimestre encerrado em novembro, de acordo com os dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) divulgados na manhã desta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em igual período de 2016, a desocupação medida pela Pnad Contínua estava em 11,9%. A taxa de 12% é a maior para os trimestres encerrados em novembro desde o início da série da Pnad Contínua, em 2012. No trimestre até outubro, o resultado ficou em 12,2%.
A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.142 no trimestre encerrado em novembro. O resultado representa alta de 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 191,9 bilhões no trimestre até novembro, alta de 4,5% ante igual período do ano anterior.
O mercado de trabalho no País perdeu 857 mil vagas com carteira assinada no período de um ano. O total de postos de trabalho formais no setor privado encolheu 2,5% no trimestre encerrado em novembro ante igual período do ano anterior. Já o emprego sem carteira no setor privado teve aumento de 6,9%, com 718 mil empregados a mais, na mesma base de comparação. O total de empregadores cresceu 5,8% ante o trimestre até novembro de 2016, com 243 mil pessoas a mais.
O trabalho por conta própria cresceu 5% no período, com 1,1 milhão de pessoas a mais nessa condição. A condição de trabalhador familiar auxiliar aumentou 6,7%, com 141 mil ocupados a mais. O setor público gerou 142 mil vagas, um aumento de 1,2% na ocupação nessa categoria. Houve aumento de 250 mil indivíduos na condição do trabalhador doméstico, 4,1% de ocupados a mais nessa função.
Segundo o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, o aumento no contingente de trabalhadores domésticos é expressivo. "Não vejo isso como um ponto positivo", afirmou, lembrando que o trabalho doméstico tem salários menores, normalmente a última opção de trabalhadores sem alternativa de emprego.
Na composição por atividades, o número de trabalhadores na indústria cresceu 3,4% no trimestre encerrado em novembro em relação a igual período de 2017, com 394 mil vagas a mais no período de um ano. Na comparação com o trimestre encerrado em agosto, a indústria ganhou 48 mil vagas.
Na contramão, a construção perdeu 121 mil vagas no período de um ano, com queda 1,7% ante o trimestre encerrado em novembro de 2016. Ao longo do ano, porém, a construção civil vem recuperando as contratações, pois o contingente de trabalhadores nessa atividade subiu 1,1% em relação ao trimestre terminado em agosto, com 76 mil vagas a mais.
Na passagem do trimestre findo em agosto para os três meses encerrados em novembro, o destaque foi o comércio, que ganhou 223 mil vagas, um crescimento de 1,3% na população ocupada nesse setor.
CONTINGENTE
O País ainda tinha 12,6 milhões de pessoas em busca de emprego no trimestre encerrado em novembro. O resultado significa que há mais 439 mil desempregados em relação a um ano antes, o equivalente a um aumento de 3,6%. Ao mesmo tempo, foram criados 1,738 milhão de postos de trabalho no período de um ano. Isso porque o total de ocupados cresceu 1,9% entre o trimestre encerrado em novembro de 2016 e igual período deste ano. O contingente total da população ocupada, de 91,9 milhões de pessoas, é o maior desde o quarto trimestre de 2015, quando o contingente havia ficou em 92,2 milhões de pessoas.
Essa dinâmica fez a taxa de desemprego passar de 11,9% no trimestre até novembro de 2016 para 12% no trimestre encerrado em novembro de 2017.
Em novembro, o País tinha 86 mil brasileiros a menos na inatividade, em relação ao patamar de um ano antes. O recuo na população que está fora da força de trabalho foi de 0,1% ante o trimestre encerrado em novembro de 2016. O nível da ocupação, que mede o porcentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, foi estimado pelo IBGE em 54,4% no trimestre terminado em novembro. "Uma retomada de volume de pessoas trabalhando a gente assiste no mercado de trabalho brasileiro agora. Junto com isso vem um contingente muito grande de trabalho precário", afirmou o coordenador do IBGE.


