Taxa de desemprego é a maior desde maio de 2011
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terça-feira, 28 de abril de 2015
Idiana Tomazelli<br>Agência Estado 
Rio - O mercado de trabalho parou de absorver o número cada vez maior de pessoas que buscam trabalho nas seis principais regiões metropolitanas do País. Pelo contrário, há registro de demissões, e o resultado dessa combinação é o aumento da taxa de desemprego para 6,2% em março - a maior desde maio de 2011, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, houve uma queda de 2,8% na renda média real dos trabalhadores ante fevereiro, o maior tombo mensal desde janeiro de 2003.
A perda do poder de compra pode levar mais pessoas a sair em busca de uma colocação. "Se a pessoa precisa compor renda, ela pode se sujeitar a trabalhar por um salário menor", disse Maria Lucia Vieira, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE. "Isso pode fazer com que pessoas aceitem trabalhos menos qualificados", afirmou.
Uma parte na queda dos rendimentos é provocada pela inflação, que registrou em março a maior alta para o mês desde 1995. Outra parte, porém, é fruto de pagamentos menores em termos nominais. "São de fato pessoas recebendo remunerações menores em seus trabalhos. Não temos como afirmar se é menor poder de barganha do trabalhador, se são as pessoas que foram demitidas e acharam outra vaga com salário menor, ou se as pessoas estão se inserindo no mercado de trabalho já com remuneração mais baixa", explicou a gerente.
Em termos anuais, a renda real também teve uma baixa recorde, a mais intensa desde fevereiro de 2004. A perda de 3% ante março do ano passado espalhou-se por todas as atividades, da indústria aos serviços. "Não há uma atividade ou posição que se destaque. Todos parecem ter perdido um pouco", disse Maria Lucia.
O mais preocupante é que a soma de todas as remunerações dos trabalhadores (a chamada massa de rendimento real) também encolheu em todas as comparações. "Isso pode agravar o processo recessivo. O corte da massa de renda terá reflexo no sentido de reduzir a demanda das famílias", alertou o economista João Sabóia, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Fila do desemprego
No começo de cada ano, a taxa de desemprego costuma subir, seguindo um movimento sazonal, em função da dispensa de trabalhadores temporários contratados para o Natal. Acontece que, em 2015, as demissões ocorreram de forma mais intensa, e a taxa de desemprego mudou para um patamar mais elevado em função da conjuntura econômica, reconheceu o IBGE. Em março do ano passado, a taxa estava em 5%.
No período de um ano até março, 280 mil pessoas se somaram às filas por um emprego nas regiões metropolitanas pesquisadas. Parte dessa população estava atrás de recolocação após o corte de 197 mil vagas no período (a maior parte com carteira assinada), enquanto outros integravam antes o grupo de inativos - gente que não estava procurando trabalho e não podia ser considerada desempregada, pela metodologia das pesquisas sobre trabalho.
"O mercado de trabalho entrou num período de piora nítida. O clima geral no País está muito negativo, e a tendência é aprofundar mais até o fim do ano", analisou Sabóia, para quem o quadro se assemelha ao início de 2009. Naquela época, também houve deterioração rápida no emprego após a crise internacional.
A despeito do quadro ruim, o Brasil está longe do fundo do poço. A perspectiva é que a busca por emprego continue aumentando, o que pressionará a taxa de desemprego para cima e representará uma inversão do cenário visto entre 2013 e 2014, quando a redução da procura por trabalho intrigava economistas. Além disso, os rendimentos dos trabalhadores devem ficar ainda menores, sacrificados pela inflação elevada e pela conjuntura desfavorável. "Imagino o desemprego chegando a 7% ou 7,5% no final do ano", avaliou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.


