A taxa de desemprego de 1996 no País foi de 5,42%, a maior desde 1992, quando atingiu 5,76%. Em números absolutos, 654.317 pessoas estavam à procura de trabalho em dezembro passado. ‘‘Sem dúvida, o resultado de 1996 é muito alto, mas o que nos anima é qua taxa cresceu mais no primeiro semestre do ano, e passou a cair no segundo’’, disse ontem a chefe da área de análise e conjuntura do departamento de Emprego do Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Shyrlene Ramos de Souza. De novembro para dezembro de 96 a taxa de desemprego registrou redução: o índice saiu de 4,56% para 3,82%.
Além disso, a média do segundo semestre de 96 ficou muito próxima à do mesmo período do ano anterior: 4,98% em contraposição a 4,86%. Por essa razão, a economista acredita que o desemprego em 97 continurá seguindo esta tendência e será inferior ao de 96. ‘‘Estimo que a taxa de janeiro de 97 seja menor que a do mesmo mês 96, que foi de 5,26%’’, avaliou Shyrlene Ramos de Souza.
No ano passado o crescimento do desemprego fez com que a informalidade - número de trabalhadores sem carteira de trabalho assinada - aumentasse, chegando a 5,2%, e dos trabalhadores por conta própria a 6%. ‘‘Essa alta foi consequência da falta de oportunidade do mercado formal de trabalho’’, disse Souza. ‘‘A indústria está liberando mão-de-obra e as pessoas não têm saída.’’

A perspectiva
é de que o
índice seja
menor este ano


A economista acredita que neste ano o comportamento da indústria será o mesmo. Ou seja, continuará sendo a principal responsável pelo desemprego no País. O contingente de pessoas ocupadas na indústria de transformação teve uma redução de 4,5%, enquanto o número desempregados com carteira assinada caiu 1,5%.
De um ano para o outro o número de pessoas trabalhando passou de 16.214.075 para 16.509.074, representando um crescimento de 2,2%. Essa alta foi puxada pelos acréscimos verificados para o número de pessoas ocupadas na construção civil (4,7%), no comércio (2,6%), e nos serviços (4,4%). A taxa média de desemprego aberto aumentou, de 95 para 96, nas seis regiões metropolitanas que compõem a Pesquisa Mensal de Emprego. Os resultados anuais foram os seguintes: Rio de Janeiro (3,65%), Belo Horizonte (4,62%), Recife (5,65%), Porto Alegre (5,91%), São Paulo (6,28%) e Salvador (6,83%).
O rendimento médio real das pessoas ocupadas, na comparação entre janeiro e novembro de 96 e mesmo período de 95, aumentou 8%. Para os empregados sem carteira assinada a alta foi de 7%; os funcionários por conta própria tiveram um crescimento no rendimento de 7,5%; os da indústria de 6%; na construção civil 9%; comércio 7%; e no setor de serviços 9%.
‘‘O desemprego atingiu mais fortemente os trabalhadores com menor nível de instrução e com menores salários’’, explicou Souza. O porcentual da população trabalhando com segundo grau completo subiu de 18% em 95 para 19% no ano passado. O rendimento médio das mulheres aumentou mais que os dos homens no ano passado, com uma elevação de 10% e 7%, respectivamente.

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