Taxa de desemprego deve baixar para 6% em 2001
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de dezembro de 2000
Agência Estado De Campinas 
A taxa de desemprego aberto (desassonalizada) deve cair 1 ponto porcentual ao longo do próximo ano, ficando próximo de 6% em dezembro de 2001. Em dezembro deste ano, a taxa ficará pouco abaixo de 7% (também descartando os efeitos sazonais). A projeção é do economista Gustavo Gonzaga, da PUC do Rio de Janeiro, especialista em mercado de trabalho.
Para que ocorra essa queda do nível da taxa de desemprego, Gonzaga trabalha com duas condicionantes: um crescimento de 4,5% do PIB em 2001 e um cenário externo estável, sem agravamento da crise argentina e com um desaquecimento gradual na economia dos Estados Unidos.
Até o final do primeiro semestre deste ano, a taxa de desemprego aberta estava em cerca de 7,5%, caindo para a faixa de 7% ao longo do segundo semestre.
Apesar do reaquecimento da economia, Gonzaga não acredita num aumento significativo do número de trabalhadores na indústria. Deve ocorrer uma estabilidade ou apenas um pequeno crescimento.
Ao fazer uma exposição ontem de manhã no Encontro Nacional dos Economistas, Gonzaga citou dados que mostram o crescimento do mercado informal do trabalho no Brasil. No início dos anos 90, 60% dos trabalhadores tinham carteira de trabalho. No final da década, apenas 43% estavam no mercado formal
De acordo com Gongaza, houve um crescimento, ao longo dos anos 90, da taxa de rotatividade bruta dos trabalhadores no mercado formal (número de trabalhadores que perdem e ganham um novo emprego). Desde 99, a rotatividade mensal dos trabalhadores é de 3,5%. A média da década foi de 3%. Essa rotatividade, que é alta se comparada com a de outros países, tem duas explicações básicas.
Primeiro, a legislação trabalhista vigente incentiva relações de trabalho de curto prazo à medida que o trabalhador que é demitido tem acesso aos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), acrescido de multas de 40% quando a demissão não é por justa causa. Além disso, o trabalhador pode se beneficiar do seguro-desemprego.
Do lado do empregador, o ambiente macroeconômico incerto que preponderou ao longo dos anos 90 gerou incertezas e aumentou a volatilidade do emprego. Por fim, como o empregador também investiu menos no empregado, não oferecendo cursos e promoções, provocou a falta de perspectiva no trabalhador, que buscou novas opções.


