Taxa de desemprego cresce em setembro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Arquivo FolhaNão há vagasCom movimento em queda, comércio não consegue absorver mão-de-obra dispensada pela indústriaA taxa média de desemprego aberto em setembro medida pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi de 5,63%, praticamente igual à mais alta já verificada em um mês de setembro nos anos 90: a de 5,74% registrada no nono mês de 1992 - por sua vez, inferior somente à de setembro de 1984 (6,77%). Em confronto com o mês precedente (agosto), quando apontou 5,95%, o desemprego agora foi menor, mas em relação ao mesmo mês do ano passado (5,23%), mostrou aumento.
O resultado para São Paulo foi de 6,51%, ligeiramente abaixo do de agosto (6,59%) e superior ao de setembro de 1996 (5,74%). Todos estes porcentuais representam o número de pessoas da População Economicamente Ativa (PEA) que não tinham trabalho e, sem sucesso, buscaram ocupação nos sete dias anteriores à pesquisa.
Segundo a técnica do IBGE Shyrlene Ramos de Souza, a população ocupada vem crescendo pouco, já que aumentou apenas 0,4% em setembro, enquanto em 96 havia se expandido em 2,2%. Ela disse que os números deixam claro que os setores de serviços e do comércio não estão mais conseguindo absorver a mão-de-obra que vem sendo dispensada pela indústria na mesma intensidade de períodos anteriores.
Em 97, de janeiro a setembro, o número de pessoas trabalhando no comércio subiu 1,2%, o que representou um recuo em relação a 96 (2,6%) e 95 (4,2%). Na indústria de transformação, o encolhimento dos postos de trabalho chegou a 3,4%. Em serviços, aumentou 1,7%.
O IBGE também informou que o rendimento médio real (descontada a inflação) das pessoas ocupadas em agosto (última pesquisa disponível) ficou em R$ 679,53 para os empregados com carteira assinada; R$ 520,82 para os sem carteira; e R$ 611,98 para os trabalhadores por conta própria. De janeiro a agosto o rendimento médio real das pessoas ocupadas cresceu 1,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
Na indústria de transformação houve perda de 0,1% no período (janeiro a agosto) e no comércio a redução foi de 0,8%. Já na construção civil, o rendimento médio real aumentou 3,1% e em serviços, 2,2%. Ainda conforme o IBGE, quem trabalha sem carteira conseguiu aumentar seus ganhos médios em 2,5%, enquanto quem tem carteira recebeu mais 2,1%. Para os trabalhadores por conta própria o aumento foi de 1,8%.


