Taxa de desemprego cresce em fevereiro para 9,9%
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quinta-feira, 29 de março de 2007
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O crescimento da economia em 2006, constatado pelo avanço de 3,7% do PIB, não reduziu o número de desempregados nas seis principais regiões metropolitanas do País. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,32 milhões de pessoas permaneciam sem emprego em fevereiro deste ano, a mesma população desocupada de igual mês de 2006. A taxa de desemprego ficou em 9,9% em fevereiro, ante 9,3% em janeiro. Mas o rendimento registrou aumento em todas as bases de comparação.
Para o gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, ''a expansão da economia do ano passado não foi suficiente para gerar vagas e para sentir esse crescimento refletido no mercado de trabalho''. Em fevereiro de 2006 a taxa havia sido de 10,1% e, segundo o instituto, não apresentou alteração estatisticamente em igual mês de 2007.
Apesar da manutenção da taxa em níveis elevados, Azeredo sublinhou que prossegue a melhoria da qualidade do emprego nas áreas metropolitanas, com mais formalidade e aumento da renda. O rendimento médio real dos trabalhadores aumentou 2,5% em fevereiro ante janeiro e 6,1% ante fevereiro de 2006, chegando a R$ 1.096,30, ainda inferior ao apurado no final de 2002 (em dezembro daquele ano, era de R$ 1.097,21).
Os dados da renda na pesquisa de fevereiro confirmaram, em sua avaliação, a continuidade de aumento do poder de compra dos trabalhadores. O rendimento médio domiciliar per capita aumentou 2,3% ante janeiro e 7,2% em relação a fevereiro do ano passado.
Para Edgard Pereira, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) os dados de fevereiro mostram que a renda deverá prosseguir em alta. Em relatório sobre a pesquisa do IBGE, ele afirma que ''não há otimismo quanto ao desemprego urbano, mas esse início de ano nutre a expectativa de significativo aumento do rendimento da população''.
Ao contrário do aumento da massa de rendimentos, que deverá favorecer a expansão do consumo, Pereira espera estabilidade na taxa de desemprego em relação ao ano passado, mantendo-se em torno de 10% ao longo de 2007, a mesma taxa apurada para o ano de 2006. A perspectiva é compartilhada por Azeredo. Para ele, o aumento na taxa em fevereiro já era esperado e a expectativa é de nova alta em março. ''Há uma sazonalidade no primeiro trimestre e a taxa no mês de março tende a ser maior, como ocorre historicamente'', disse.
Azeredo acredita que é possível que o ano de 2007 não mostre alterações significativas no mercado de trabalho em relação ao ano passado. ''Este ano mostra, e é bom ressaltar que é muito cedo para levantar isso ainda, que será parecido com 2006, com timidez muito forte para acelerar o nível de contratações'', disse.
O número de ocupados caiu 0,4% ante janeiro, com redução de 91 mil vagas, enquanto o número de desocupados aumentou 6,5%, com mais 136 mil desempregados de um mês para o outro.


