Rio de Janeiro O mercado de trabalho piorou em junho, com uma conjunção de indicadores negativos: aumento da taxa de desemprego, queda na renda e agravamento do quadro de informalidade. O desaquecimento da economia é o principal fator apontado por especialistas para a elevação da taxa de desemprego para 13% no mês, a maior registrada na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em outubro de 2001. O rendimento médio real dos trabalhadores caiu 13,4% em relação a junho do ano passado.
Nos primeiros seis meses do ano, o número de desempregados subiu de 2,292 milhões para 2,735 milhões. Isso representa um aumento de 443 mil pessoas no número de pessoas procurando por trabalho. Em dezembro do ano passado, o número de desocupados era de 2,12 milhões.
O gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo Pereira, vinculou a alta do desemprego e a queda da renda à redução do nível de atividade da economia. ''É possível ver claramente os efeitos do desaquecimento da economia no mercado de trabalho'', disse. Concorda com ele o analista da Tendências Consultoria, José Márcio Camargo, para quem ''a razão para a pequena piora no mercado de trabalho é que o nível de atividade está muito baixo, por causa de uma política monetária muito dura''.
Para Camargo, a concentração de esforços para controlar a inflação acabou agravando o desemprego. O aumento da desocupação em junho contrariou inclusive o comportamento sazonal (típico de determinado período) da taxa. Segundo Pereira, desde 2000 o comportamento habitual da taxa de desemprego era apresentar um recuo a partir de junho, quando as indústrias começam a se preparar para as encomendas do Natal. Na média do primeiro semestre, o desemprego atingiu 12,2%.
Em junho, o número de desocupados (sem emprego e procurando trabalho) aumentou em 449 mil pessoas nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE entre junho do ano passado e igual mês deste ano. Deste total, 270 mil pessoas tinham pelo menos o segundo grau completo.
Por outro lado, o número de ocupados aumentou em 867 mil pessoas de junho do ano passado para junho deste ano, totalizando 18,34 milhões de trabalhadores. De janeiro para junho, o aumento de ocupados foi de 98 mil pessoas. O crescimento da ocupação não está sendo suficiente, entretanto, para evitar o acréscimo de desocupados. ''A desaceleração do mercado de trabalho está impossibilitando a abertura de novas vagas na mesma medida em que cresce a procura por emprego'', disse Pereira.

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