Taxa de desemprego cai junto com a renda média
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quarta-feira, 23 de agosto de 2000
Agência Folha Do Rio 
Mais pessoas estão trabalhando nas seis regiões metropolitanas do País por menos dinheiro. Dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que, enquanto a ocupação subiu 4,1% de janeiro a julho, em relação ao mesmo período de 1999, o rendimento médio real do trabalhador caiu 2,1% no primeiro semestre. E a renda dos trabalhadores cai sobre um período já crítico da economia brasileira, explica o economista Luiz Roberto de Azevedo Cunha, da PUC-RJ.
No primeiro semestre do ano passado, a renda do trabalhador havia retrocedido a um patamar inferior aos dos últimos três anos, em razão da freada provocada pela desvalorização cambial.
Como se trata de um parâmetro ruim, o economista Lauro Ramos, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), não vê muita razão para comemorar a alta de 0,8% na renda de junho, contra o mesmo mês do ano passado. Nessa comparação, foi o primeiro resultado positivo depois de 18 meses.
Também explicam o rendimento menor o fato de comércio (4,3%) e trabalhadores sem carteira (9,7%) estarem puxando a criação de novos postos nesses sete meses que passaram. Isso porque os mais altos salários estão na indústria e são pagos geralmente a trabalhadores que têm carteira assinada.
Para Lauro Ramos, a queda verificada na renda este ano ainda é reflexo da baixa do ano passado. Os rendimentos estão se recuperando. E renda é o último dos indicadores a reagir, diz.
Algumas notícias corroboram o otimismo gerado no primeiro semestre do ano. A taxa de desemprego, apesar de alta a média dos sete primeiros meses do ano empata com a de 99 e é a segunda maior em 17 anos , continua em queda. Passou de 7,4%, em junho, para 7,2%, em julho. Em julho de 99, estava em 7,5%. Os dados se referem às seis regiões pesquisadas pelo IBGE (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre).
Baixaram também, nos primeiros sete meses do ano, o tempo médio de procura por trabalho, de 22,4 para 19,9 semanas, e o percentual de pessoas desempregadas há 12 meses ou mais de 15% para 12,5%.
Segundo o IBGE, o desemprego em julho caiu por causa da menor procura por trabalho. A menor procura, dessa vez, não é consequência do desânimo dos trabalhadores, como acontece em períodos recessivos, mas, sim, fruto do crescimento da ocupação, movimento verificado em todos os setores da economia e entre todo tipo trabalhador, seja ele formal, informal ou empregador.
Tanto é assim que a taxa de participação da força de trabalho em relação à população em idade ativa voltou a subir em julho, contrariando uma tendência de queda anual registrada desde 1984, com pequenas reações isoladas.
De julho para julho, a ocupação subiu 4,9%, o que significou a entrada de quase 800 mil pessoas no mercado de trabalho. O contingente de desempregados, por sua vez, que era de 1,318 milhão de pessoas nas seis regiões no mês passado, pouco variou em relação a julho de 99. A redução foi de apenas 11 mil desempregados.
O movimento de volta ao mercado é o que impede a taxa de desemprego de cair mais significativamente, lembra Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e pesquisador do desemprego no País. É um movimento por conta dos sinais de retomada da economia.


