Rio de Janeiro – A taxa de desemprego aberto no País atingiu 7% em fevereiro, mas não impediu a melhoria do mercado de trabalho no período, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em janeiro, a taxa havia sido de 6,8% e em fevereiro de 2001, de 5,7%.
Segundo a chefe do Departamento de Emprego e Rendimento, Shyrlene Ramos de Souza, os sinais de recuperação estão no aumento de 1,4% no número de pessoas ocupadas em relação a igual mês do ano passado e na desaceleração do crescimento da população não-economicamente ativa (fora do mercado de trabalho).
As más notícias da Pesquisa Mensal de Emprego divulgada ontem foram o significativo aumento do desemprego em São Paulo (taxa de 8,3% em fevereiro deste ano ante 5,6% em igual mês do ano passado) e a manutenção da tendência de queda do rendimento médio real (descontada a inflação) dos trabalhadores, com redução de 5,3% em janeiro ante igual mês do ano anterior.
Para Shyrlene, ‘‘não houve variações significativas’’ nos indicadores de fevereiro ante janeiro, mas o principal sinal de recuperação está no número de pessoas ocupadas, cujo crescimento vinha em desaceleração desde o início do ano passado.
O crescimento de janeiro (0,3%) nesse indicador já havia revertido as quedas consecutivas ocorridas desde agosto, mas para a técnica do IBGE o aumento de 1,4% registrado agora ‘‘consolida’’ a tendência de recuperação.
No que diz respeito à população fora do mercado de trabalho, o crescimento passou de 6,7% em fevereiro do ano passado para 1,8% em igual mês deste ano, desaceleração considerada como um dos fatores mais positivos da pesquisa pela técnica do IBGE.
Comércio e serviços – O aumento de 26,7% no número de pessoas procurando trabalho entre fevereiro do ano passado e o mesmo mês deste ano ‘‘não é preocupante’’, segundo Shyrlene, porque o crescimento do número de ocupados mostra que ‘‘o mercado está absorvendo’’ essa mão-de-obra. Essa absorção ocorreu nos setores de comércio (aumento de 3,5% na ocupação) e serviços (2,3%). Por outro lado, houve redução de trabalhadores na indústria de transformação (-1,8%) e na construção civil (-8%).
A pesquisa apontou também crescimento no número de trabalhadores com carteira assinada (1,1%) em fevereiro ante igual mês de 2001, mas registrou também expansão ainda maior da informalidade, com acréscimo de 4,1% no volume de ocupados sem carteira. - No que diz respeito à queda no rendimento real, Shyrlene considerou a diminuição de 5,3% em janeiro ‘‘expressiva’’ e sublinhou que a redução ante igual mês do ano passado atingiu os que trabalham com carteira de trabalho assinada (-7,1%), por conta própria (-6,8%) e sem carteira de trabalho assinada (-2,2%).
Segundo ressaltou a técnica, o número maior de pessoas procurando trabalho do que a oferta de vagas está reduzindo o poder de barganha dos trabalhadores e, além disso, o crescimento da ocupação está ocorrendo especialmente nos setores de comércio e serviços, que pagam salários inferiores aos da indústria, em fase de redução de funcionários.

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