Não é só o Imposto de Renda de 20% que faz diferença entre caderneta de poupança e fundos de investimento. Com a queda gradual dos juros, a taxa de administração pesa cada vez mais na rentabilidade dos FIFs. Esse custo para o investidor tem nos fundos impacto semelhante ao do redutor da TR nas cadernetas. Só que o redutor é móvel, muda a cada mês, apesar de a fórmula de seu cálculo ser a mesma desde fevereiro. Já as taxas de administração demoram a mudar.
Foram feitos cálculos em cima de uma taxa de administração de 2% ao ano (a cobrança é feita de forma diluída, a cada dia útil), mas há taxas bem maiores no mercado, de até 8% no segmento de renda fixa. Elas costumam ser mais elevadas nos bancos de varejo (ampla rede de agências e grande número de clientes). Fundos de renda variável (ações, carteira livre e derivativos) também cobram mais, devido ao custo operacional maior.
Supondo uma aplicação que renda 19,75% brutos ao ano, o tamanho da TBC atual, a taxa líquida seria de 15,80%. Mesmo uma taxa de administração de 2% equivaleria a 12,6% da rentabilidade do fundo. Outra de 3% ficaria com 19%, e uma de 8%, embora rara, com metade do ganho líquido. O consultor Louis Frankenberg, da Personal Financial Planning, acha muito altas as taxas de administração no Brasil, fato atribuído pelos bancos, segundo ele, aos volumes relativamente baixos em relação aos fundos nos países ricos.
Alexandre Zakia, diretor do BFB, tem opinião diferente. Ele entende que as taxas caíram bastante e já se aproximam dos padrões do chamado Primeiro Mundo. Lá, afirma, se cobram também taxas de entrada ou de saída do fundo, o que não ocorre por aqui. Apenas considerando 20 instituições de maior porte, afirma o executivo, a taxa média, que ficava entre 4% e 5% há uns três ou quatro anos, está agora em 1,6%.

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