“Taxa das blusinhas” preservou 135 mil empregos, estima CNI
Medida estabelece a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A regra entrou em vigor em agosto de 2024
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quarta-feira, 22 de abril de 2026
Medida estabelece a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A regra entrou em vigor em agosto de 2024
Agência Brasil 

Apesar de impopular, a cobrança de imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, conhecida como “taxa das blusinhas”, teve efeitos positivos para o país, revelou levantamento divulgado nesta quarta-feira (22) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo a entidade empresarial, a medida ajudou a conter importações, preservou mais de 100 mil empregos e movimentou a economia brasileira. Bilhões de reais em produtos estrangeiros deixaram de ser comprados, ao mesmo tempo em que o imposto reforçou o caixa da União, disse a confederação.
A CNI calculou os efeitos do Imposto de Importação com base no valor médio das remessas em 2025, comparando o volume de importações projetado pela confederação para o ano passado e o valor que foi efetivamente registrado. Entre os principais números do levantamento, destacam-se os R$ 4,5 bilhões em importações evitadas, os 135,8 mil empregos preservados no país e os R$ 19,7 bilhões que circularam na economia brasileira. Além disso, houve uma queda de 10,9% no número de encomendas internacionais de 2024 a 2025 e um recuo de 23,4% no número de remessas no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024, antes da entrada em vigor da medida. A arrecadação com o imposto também subiu, registrando R$ 1,4 bilhão em 2024 e R$ 3,5 bilhões em 2025.
De acordo com a CNI, a tributação reduziu a concorrência desleal dos produtos importados, principalmente da China, dando fôlego à indústria brasileira. Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI, afirmou em nota que o objetivo principal da taxa não é tributar o consumidor, mas proteger a economia, tornando a indústria brasileira competitiva para manter empregos e gerar renda. Ele acrescentou que as importações são bem-vindas e aumentam a competitividade, mas precisam entrar no Brasil em condições de igualdade.
A medida estabelece a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A regra entrou em vigor em agosto de 2024, dentro do programa Remessa Conforme, criado para regulamentar o comércio eletrônico internacional. Na prática, o imposto é cobrado no momento da compra, o que facilita a fiscalização e reduz fraudes.
Com a nova regra, o volume de encomendas caiu, passando de 179,1 milhões de remessas para o Brasil em 2024 para 159,6 milhões em 2025. Sem a taxação, a projeção da indústria era de que o número chegaria a mais de 205 milhões de pacotes, o que mostra o impacto direto da medida na redução das compras no exterior. Antes da mudança, produtos importados de baixo valor muitas vezes entravam no país sem pagar todos os tributos, enquanto itens nacionais eram taxados normalmente, o que gerava uma concorrência desigual segundo a CNI. Com a nova regra, há maior equilíbrio entre produtos nacionais e estrangeiros.
A CNI complementa que a "taxa das blusinhas" também inibiu práticas como subfaturamento, divisão de pedidos e uso indevido de isenções, que eram comuns antes da taxação. Com o novo sistema, as plataformas internacionais precisam informar e recolher os impostos no ato da venda, o que aumenta o controle e reduz irregularidades. Além de reduzir importações, a medida elevou a arrecadação federal com importações de pequeno valor, que passou de R$ 1,4 bilhão em 2024 para R$ 3,5 bilhões em 2025. Para a indústria, o principal efeito é a proteção da produção nacional, com manutenção de empregos e geração de renda no país.


