Taxa da Serasa caiu 2,9% no mês de abril
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quarta-feira, 01 de junho de 2005
Folhapress 
São Paulo - A inadimplência entre pessoas físicas caiu 2,9% em abril na comparação com março. Entretanto, em relação a igual mês de 2004, apresentou alta de 18,2%, segundo dados divulgados ontem pela Serasa. No caso das empresas, houve queda de 6,4% na inadimplência em relação a março, mas aumento de 17,9% sobre abril do ano passado.
André Chagas, assessor econômico da Serasa, explica que a queda dos indicadores de inadimplência de março para abril se deve a fatores sazonais. ''Março é um mês de inadimplência alta, porque coincidem vários vencimentos no período, como as compras efetuadas no Natal, impostos, matriculas escolares'', disse.
Em março, a inadimplência dos consumidores teve alta de 6,85% sobre fevereiro, enquanto a das empresas aumentou 24,3% no mesma comparação. Já o avanço do índice na comparação com abril de 2004, no caso das pessoas físicas, se deve à contração na massa de salários, por conta do desemprego e da estagnação da renda média real.
De acordo com Chagas, a elevação de preços em itens de consumo essencial -alimentos, transporte e medicamentos - também explica os sucessivos aumentos da inadimplência, na medida em que reduzem a renda disponível das famílias para o consumo e a quitação de dívidas.
As empresas, por sua vez, já sentem o impacto da política de juros altos do Banco Central em suas finanças. A taxa básica de juros (Selic) vem subindo desde setembro do ano passado e está em 19,75% ao ano. ''A economia como um todo está desacelerando'', disse Chagas. Na terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve crescimento de 0,3% no primeiro trimestre deste ano em relação aos últimos três meses de 2004, pior desempenho desde o segundo trimestre de 2003, quando a economia cresceu apenas 0,1%.
O indicador da Serasa leva em conta a inadimplência com cheques, títulos protestados, dívidas vencidas com instituições financeiras, empresas de varejo, cartões de crédito e financeiras.
Segundo o levantamento, as dívidas com cartões de crédito e financeiras tiveram a maior representatividade na inadimplência de consumidores no período. Em abril deste ano, os registros de débitos em cartões de crédito e financeiras não pagos representaram 35,2% do total da inadimplência entre as pessoas físicas.
O cheque aparece em segundo lugar, com representatividade de 34,6%. Os registros de dívidas com bancos responderam por 28,6% e os títulos protestados representaram menos de 2% das dívidas não pagas de pessoas físicas, percentual que se mantém em torno desse patamar há cerca de três anos.
Já a inadimplência entre as empresas foi puxada pelos títulos protestados, com participação de 41,4% em abril.


