O presidente do banco ING no Brasil, Carlos Craide, avalia que a taxa de câmbio formada pelo mercado na sexta-feira está muito próxima do equilíbrio. ‘‘Ainda não dá para dizer que é o equilíbrio. Mas ficou muito claro que a taxa não é R$ 1,80’’, diz ele. Para Craide, a decisão de deixar o câmbio flutuar foi acertada. ‘‘O governo não tinha mais opção. A saída de US$ 1,8 bilhão surpreendeu muito. Se o governo abrisse na sexta normalmente, vendendo dólares nos leilões, seria mesmo uma sangria, venderia o que tinha e o que não tinha’’.
Segundo o banqueiro, o Banco Central só tomou a decisão de não intervir no mercado, ou seja, não vender dólares, porque sabia que muitos bancos tinham grandes posições compradas em dólares. ‘‘O BC sabia que, deixando a taxa flutuar, chegando em determinado preço os vendedores apareceriam. Foi o que aconteceu.’’ Craide avalia que o país fez a desvalorização em uma posição ainda confortável. ‘‘As reservas estão em torno de US$ 28 bilhões. Se deixasse o mercado estressar mais uma semana, perdendo mais US$ 10 bilhões, a reação seria diferente.’’
Para ele, existem duas hipóteses mais prováveis para o novo sistema cambial: um câmbio livre ou uma banda mais larga que a anterior e fixada ao redor do novo patamar de preço do dólar. Embora a variação do câmbio tenha acalmado o mercado na sexta, Craide diz que não se pode ignorar os efeitos negativos da medida. ‘‘Teremos empresas e indivíduos com dificuldades em honrar suas dívidas em dólares, com aumento da inadimplência. Também haverá pressão
inflacionária, mas muito mais suave por causa da recessão’’.Arquivo FolhaCasas de câmbio brasileiras tiveram trabalho nos últimos dias para adequar a cotação do dólar ao realAgência Folha

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