O governo brasileiro avalia que a redução dos juros pelo Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) reduz os riscos de uma recessão mundial, mas não basta para permitir a queda das taxas no Brasil. O porta-voz da Presidência, Sergio Amaral, disse que ‘‘é impossível’’ neste momento haver queda dos juros no Brasil. ‘‘A queda da taxa de juros no Brasil depende de um conjunto de fatores e esse (a decisão do Fed) poderá ser um deles. No momento, acho que é impossível’’, disse Amaral.
Segundo o porta-voz, o presidente Fernando Henrique Cardoso não faria comentários sobre a decisão do Fed. Pouco antes, numa solenidade no Palácio do Planalto, FHC afirmou apenas que considerava positiva a decisão.
O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior, José Roberto Mendonça de Barros, afirmou ontem que a redução da taxa de juros norte-americana sinaliza que haverá crescimento da economia mundial, apesar de pequeno. Ele acrescentou que, por enquanto, não deve ser esperado movimento semelhante no Brasil. ‘‘Tenho confiança que, no início de 99, haverá o retorno à normalidade’’, declarou Mendonça de Barros, referindo-se à possível redução nas taxas de juros no Brasil.
Segundo o secretário-executivo da Camex, a redução das taxas de juros depende diretamente da eficiência e da rapidez do ajuste fiscal proposto pelo governo. ‘‘É o avanço no ajuste fiscal que vai permitir a redução nas taxas de juros’’, disse. ‘‘Quanto mais incisivo e de curto prazo for o ajuste, mais rapidamente as taxas de juros poderão voltar às condições de normalidade’’, completou ele, logo depois de um encontro com empresários na CNI (Confederação Nacional da Indústria).
De acordo com Mendonça de Barros, a decisão do Federal Reserve de reduzir em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros do país sinaliza que outras atitudes similares podem se seguir.
A decisão também terá impacto favorável na economia mundial. Conforme argumentou, deverá haver crescimento da economia do mundo neste ano, apesar de não atingir o aumento de 4% esperado alguns meses atrás. Segundo Mendonça de Barros, essa tendência poderá ser duplamente positiva para o Brasil.
Primeiro, porque sinaliza que o comércio internacional continuará crescendo, empurrado pelas economias dos EUA e da Europa - os dois principais mercados dos produtos brasileiros. Depois, porque indica que haverá ‘‘retomada nas condições de crédito no mercado internacional’’. Ou seja: há possibilidade de as empresas conseguirem acesso a empréstimos no exterior em condições mais favoráveis que as atuais.

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