Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu ontem elevar pela quinta vez consecutiva a taxa básica de juros da economia, a Selic, que passa de 17,75% ao ano para 18,25% ao ano. Não foi adotado viés. Ou seja, a taxa não será alterada antes da reunião de fevereiro. O Banco Central ainda não viu sinais suficientes de que os preços ficarão sob controle para que se cumpra a meta de inflação de 2005 e resolveu manter a política de aperto monetário. A decisão já esperada pelo mercado.
Para o consumidor, a alta dos juros não é sentida imediatamente. O aumento é repassado aos poucos, inicialmente pelos bancos em alguns tipos de empréstimo, mas, no fim das contas, todos acabam pagando caro. Um dos motivos é a diferença entre a taxa Selic (18,25%), usada pelo governo na remuneração de títulos públicos, e os juros de mercados, na casa dos 140%, em média.
''Independente de repassar ou não as taxas já estão tão altas que mesmo que repasse a diferença vai ser pequena. Mas acaba tendo efeito sim, e ele vem aos poucos'', comenta o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira. Nos cálculos do executivo, por hipótese, um aumento de 0,50% na taxa de financiamento de uma televisão de R$ 800,00, em 12 vezes, elevaria a prestação de R$ 95,74 em R$ 0,21 - ou R$ 2,52 no financiamento total.
O executivo da Anefac explica que a elevação da Selic aumenta os juros pagos pelos títulos do governo e esta rentabilidade estimula os bancos a mantererem grande parte dos seus recursos aplicados nestes papéis. Com isso, sobram menos recursos para o sistema de crédito em geral. Como ocorre com qualquer outro produto, quanto menos mercadoria (no caso, o volume de financiamento), mais caro fica o ''produto'', neste caso, o dinheiro a ser emprestado.
Em outro efeito da elevação da Selic, o próprio governo aumenta seus gastos no pagamento da dívida pública que está atrelada à Selic: quando a taxa aumenta, cresce o custo da rolagem da dívida. Em paralelo, diz o executivo da Anefac, o aumento dos juros produz um ''efeito psicológico'', porque gera receio no consumidor quanto ao futuro da economia, assim como prejudica a expectativa dos empresários quanto a novos investimentos.
A Anefac imforma que as taxas anuais de juros do comércio estão em 102,59%, cartão de crédito 217,28%, cheque especial 161,79% e empréstimo pessoal em financeiras 317,61%. Os juros cobrados embutem o custo de captação do dinheiro, impostos e tributos pagos pelos bancos, despesas operacionais destas instituições financeiras, o risco de inadimplência e a margem líquida de lucro. ''A verdade é que a Selic está alta e muito mais altos são os juros na ponta do crédito'', reconhece o executivo. A questão, explica ele, é que o consumidor não olha os juros quando faz seus financiamentos, mas se a prestação cabe no bolso.

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