Brasília - O Banco Central reduziu ontem a taxa de juros da economia brasileira, que voltou ao patamar de cinco anos atrás. O Comitê de Política Monetária (Copom) determinou o corte de 0,75 ponto percentual na taxa básica, para 15,75% ao ano, a mesma da reunião de março de 2001. Como na maior parte das reuniões do Copom, a decisão já era esperada pelos analistas do mercado financeiro. A ata da reunião será divulgada na quinta-feira da próxima semana.
  Esse foi o sétimo corte consecutivo e o terceiro dessa magnitude. O primeiro corte, promovido em setembro do ano passado, foi de 0,25 ponto percentual. Os quatro seguintes foram de meio ponto. Neste ano, na reunião de janeiro, o Copom aumentou o corte para 0,75 ponto percentual e o mesmo aconteceu no encontro de março. Isso ocorreu porque as reuniões do colegiado deixaram de ser mensais e passaram a ocorrer a cada 45 dias, em média. Com a decisão de ontem, a taxa de juros já caiu quatro pontos percentuais desde o início do processo de corte.
  O corte de apenas 0,75 ponto percentual pode ser considerado conservador por analistas, já que a trajetória de inflação caminha para a meta, que é 4,5% medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - com uma margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo. No último levantamento feito pela autoridade monetária, o mercado financeiro esperava uma inflação de 4,43%.
  A mudança no comando do Ministério da Fazenda pode ter pesado para essa decisão mais conservadora. Antonio Palocci deixou o cargo no dia 27 de março e foi substituído por Guido Mantega, que quando era presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) criticava a condução da política monetária. No entanto, de acordo com os dados mais recentes dos indicadores econômicos, não há sinais de que a inflação possa fugir do controle. Em março, o IPCA foi de 0,43%, contra 0,41% no mês anterior.
  Além disso, o índice que mede a utilização da capacidade instalada foi de 80,9%, contra 80,6% de janeiro. Esse indicador mostra que a indústria tem capacidade de aumentar a produção no curto prazo sem causar inflação.

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