A inflação acumulada de 1997 ficou em 6,11% para as famílias do município de São Paulo, a menor taxa calculada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômico, desde a primeira divulgação dos dados, em 1959. O aumento do custo de vida foi mais expressivo para as famílias de maior poder aquisitivo, com renda média de R$ 2.792,70, cuja taxa atingiu 6,40%. A variação menos intensa foi registrada para as famílias que se encontram em patamar de rendimentos intermediário, ou seja, renda média de R$ 934,17, com taxa de 5,60%. Para as famílias mais pobres, com renda média de R$ 377,49, a taxa acumulada ficou em 5,91%.
Em dezembro, o comportamento dos preços foi bem diferente do acumulado no ano. O índice geral apresentou alta de 0,18%, e a variação mais significativa foi apurada para as famílias com renda de R$ 377,49, cuja inflação atingiu 0,44%, enquanto o menor aumento ocorreu para as famílias com ganho de R$ 2.792,70, quando a taxa ficou em 0,07%. Para as famílias com renda média de R$ 934,17, a elevação foi de 0,27%.
As maiores variações de preços registradas pelo ICV-Dieese, em dezembro, ficaram por conta de alimentação 0,93%, vestuário, 0,72%; saúde, 0,62%; habitação, -0,81%. As famílias de maior poder aquisitivo foram as que mais sentiram o impacto do aumento dos gastos com a alimentação, grupo responsável pelo acréscimo de 0,40 ponto percentual no cálculo de seu índice, mas beneficiado com a queda nas despesas com a habitação (-0,11.), em especial dos aluguéis que, sozinhos, contribuiram com 0,10 ponto percentual.
Já as famílias com ganho médio de R$ 934,17 apresentaram um resultado menor que os demais, devido à queda ocorrida no grupo habitação, que reduziu sua taxa em 0,25 ponto percentual. Esta queda teve como principal responsável a redução dos preços nos serviços domésticos, que contribuíram com uma variação negativa de 0,21 ponto percentual.
A economista do Dieese, Cornélia Porto, disse que a inflação deste ano deverá ficar bem abaixo dos 6,11% registrados em 97. ‘‘Não existe mais inflação para ser repassada. O governo já realinhou seus preços e as tarifas não deverão pesar este ano’’, afirma. Segundo ela, a educação e hortaliças deverão pressionar a inflação em janeiro.
A economista do Dieese, Cornélia Porto, disse ainda que, sem os preços públicos e dos setores oligopolizados, a inflação de 97 teria ficado próxima a zero. Dos dez itens que compõem o ICV, apenas quatro subiram acima da inflação no ano de 97. São eles: habitação, 12,48%; transportes, 7,17%; educação, 11,35%, e saúde, 11,29%.
A inflação de 6,11% registrada no ano passado foi a menor variação desde 1959, quando o Dieese iniciou o cálculo do ICV. Em 96, a taxa ficou em 9,93%, quando se leva em consideração o encadeamento da série antiga do ICV, calculada até junho de 96, com a instituída a partir das novas ponderações obtidas pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada em 94/95.
Em 97, as maiores taxas foram registradas em janeiro (2,10%) e abril (1,08%), enquanto nos demais meses as variações foram inferiores a 1%, apresentando taxa negativa em agosto de -0,28% e próxima a zero nos meses de maio (-0,01%) e outubro (0,06%).

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