Tarso vai à PF para tentar evitar uma greve nacional
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domingo, 25 de março de 2007
Vannildo Mendes<br> Agência Estado 
Brasília - Para tentar evitar a primeira greve nacional do ano, o ministro da Justiça, Tarso Genro, vai à sede da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), hoje, disposto a abrir um canal direto de diálogo com a categoria. É a primeira vez que um ministro de Estado se reúne com os policiais federais na sede de seu principal órgão de representação.
Em estado de greve por um reajuste de 30% - devido desde o acordo salarial do ano passado -, os policiais já fizeram uma paralisação de advertência há um mês e vão cruzar os braços por 24 horas novamente na quinta-feira. O movimento está marcado para a mesma data em que a PF completa 44 anos de criação.
A categoria luta também por sua lei orgânica, com a qual espera reduzir a diferença de remuneração com os servidores dos outros órgãos que integram o sistema criminal da União, o Ministério Público e a magistratura federal. Estarão presentes ao encontro, às 11h30, representantes dos várias segmentos que compõem a categoria dos servidores da PF, inclusive de entidades de delegados, agentes, escrivães e papiloscopistas.
Tarso sabe que precisa estabelecer uma relação de confiança com a corporação. Setores da própria Polícia Federal, a oposição na Câmara e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) anunciaram que vão cobrar com intensidade e ficar ''muito atentos'' a sua atuação à frente do Ministério da Justiça.
Lideranças de entidades de classe avisaram que não pretendem abrir mão de reivindicações e garantias que não teriam sido cumpridas e acatadas durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Não bastasse isso, o ministro tem ainda pela frente a complicada missão de substituir o delegado Paulo Lacerda no comando da PF. Ele próprio já deixou clara a dificuldade da operação ao adiantar ao Estado que pretende contar com Lacerda por pelo menos os próximos três meses antes de efetuar a troca.
''Nesse período vamos amadurecer o nome do substituto. Posso dizer que as características do próximo nome serão: o mesmo grau de isenção, republicanismo e independência com que ele se comportou em relação ao governo'', afirmou o ministro, rechaçando as críticas e acusações de uso político da PF, que classificou de absurdas e irresponsáveis. ''A PF investigou quem deveria, sem nenhum tipo de contenção.
Provavelmente, o grande número de atingidos na área política seja do PT. A PF agiu sempre de maneira independente. Processou e investigou políticos de todos os partidos. Muitos inclusive do PT.''


