Tarifas subirão mais que o previsto, admite governo
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quinta-feira, 26 de abril de 2001
Das agênciasDe Brasília 
A decisão de elevar os juros básicos da economia de 15,75% para 16,25% ao ano, tomada pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) em sua reunião de abril, levou em conta o aumento do núcleo da inflação nos últimos meses, com a inflação acima das expectativas, e as incertezas quanto ao grau de repasse da depreciação cambial recente (alta do dólar).
As informações constam da ata da reunião do Copom, divulgada ontem. O documento informa que, desde a reunião de março do comitê, ocorreram alterações no cenário macroeconômico. Em primeiro lugar, diz o documento, as estimativas de variação dos preços administrados foram revistas para cima. De acordo com a ata, as tarifas dos serviços de utilidade pública provavelmente terão reajustes maiores que os anteriormente previstos.
O documento informa também que as tarifas atreladas aos índices gerais de preços devem ser contaminadas pela influência da variação cambial sobre os preços do atacado. No conjunto, os preços administrados tendem a representar dois pontos percentuais na inflação do ano, caracterizando um choque significativo de oferta.
Segundo a ata, a inflação de março, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que foi de 0,38%, superou o valor esperado pela diretoria do Banco Central 0,22% por conta da elevação dos preços dos alimentos.
A ata mostra que, no caso de alguns produtos como aves e carne bovina, o repasse da variação cambial tem ficado acima do esperado. Em outros casos, como no setor de eletroeletrônicos, que utilizam muitos insumos importados, o repasse está abaixo do esperado.
Na avaliação dos diretores do BC, a pressão atual sobre a taxa de câmbio é de caráter temporário e vem sendo sustentada muito mais pelas reações do mercado financeiro às dúvidas sobre solvência da Argentina do que pela crise política interna.
Apesar da possibilidade de haver o intervalo de dois pontos para cima ou para baixo no índice de inflação, o BC fez questão de reafirmar que está perseguindo a meta de 4% e que as intervenções no câmbio não têm outro sentido além de controlar o repasse da subida do dólar para os preços.O nível da taxa de câmbio não é meta do Banco Central. A meta é a inflação e não a taxa de câmbio. O Banco Central mira no ponto central de suas metas anuais, afirmaram os diretores na ata.


