Tarifas públicas têm reajustes desacelerados
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quinta-feira, 09 de outubro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba O aumento nos reajustes das tarifas públicas começa a dar sinais de desaceleração. No mês de setembro, as tarifas aumentaram 0,33%, índice que ficou inferior à inflação registrada no mesmo mês em Curitiba pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que foi de 0,5%, e à inflação média no País que atingiu 0,78%. No período janeiro a setembro, o índice acumulado dos preços administrados ficou em 5,93% e nos últimos 12 meses. O acumulado foi de 14,23%.
Apesar disso, cerca de um terço da inflação registrada em Curitiba no mês passado correspondeu ao peso das tarifas públicas, administrados pelo governo. Na inflação brasileira, o peso dos preços administrados sobre a inflação foi de 43%. O custo dos serviços públicos no orçamento familiar, levantado mensalmente pelo Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge) em conjunto com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) foi apresentado ontem.
De acordo com o estudo, o índice dos preços monitorados em setembro foi puxado pelo aumento do seguro-apagão, de 28,79% no mês passado. O segundo preço monitorado que mais pesou no índice foi o do álcool que teve reajuste de 2,35%, seguido das tarifas dos correios, 11,11%. Com o reajuste de setembro, uma família curitibana, gastou em média R$ 403,08 com o pagamento das tarifas públicas, incluindo gastos com energia elétrica, gás de cozinha, transporte coletivo, táxi, telefone, gasolina, água, correio e pedágio.
O peso desse custo no orçamento está obrigando a reestruturação familiar nos últimos anos, analisou Cordeiro. Para o diretor-presidente do Senge, Eroni Bertoglio, a soma do gasto com as tarifas públicas mais os impostos que não foram corrigidos pela inflação como o Imposto de Renda (IR) e a incidência da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) está encolhendo o salário líquido do trabalhador.
De acordo com Cid Cordeiro, este ano o seguro-apagão acumula uma alta de 49% e já representa 4% no preço da fatura de energia elétrica para o consumidor. O economista lembrou que no Paraná o consumidor está sendo beneficiado nas tarifas de energia elétrica porque não houve o repasse do aumento de 28,7% que deveria vigorar a partir de junho. Ele calcula que o consumidor está economizando em média R$ 15,00 por mês, com a suspensão do aumento na tarifa.
Para o mês de outubro, o índice de variação dos preços administrados já apresenta aumento de 0,75%, impulsionado pelo aumento no preço da gasolina na primeira semana de outubro, que foi de 4% em média. Como a tendência é de recuo no preço do produto, os economistas do Dieese acreditam que a variação registrada até agora tende a cair também.


