Curitiba - Os preços das tarifas públicas e serviços monitorados apresentaram deflação pela segunda vez este ano. Em maio, a queda nos preços foi de 0,38%, provocada pela derrubada no preço do álcool combustível que atingiu -11,81% no mês. Essa calmaria, no entanto, não deve resistir aos reajustes anuais da energia elétrica e telefonia, previstos para entrarem em vigor no final dos meses de junho e julho. Por enquanto, o custo da cesta de tarifas depende das variações dos combustíveis.
Com a deflação de maio, o índice acumulado do ano, entre janeiro a maio, para a cesta de tarifas públicas é de 1,09%, menor do que a inflação prevista para o mesmo período. Mas no acumulado dos últimos 12 meses, as tarifas públicas já subiram 8,55%, índice maior que a inflação. ''Ainda não foram computados os grandes reajustes anuais que pressionam o índice das tarifas públicas'', explicou Sandro Silva, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
Para o mês de junho, a tendência é de nova deflação, devendo completar um ciclo de três meses consecutivos de queda nos preços. Só a gasolina já apresenta uma queda de 4,3% na primeira semana deste mês, em função da redução de preço dos combustíveis promovidos pelas distribuidoras. Segundo Silva, o impacto do reajuste no preço da energia e da telefonia deverá pesar ao consumidor a partir do mês de julho.
O Dieese faz acompanhamento mensal da cesta de tarifas em parceria com o Sindicato dos Engenheiros (Senge). Com a deflação de maio, o valor da cesta de tarifas e produtos monitorados que era de R$ 471,93 em abril caiu para R$ 470,16 em maio. Além do álcool, contribuíram para essa queda o gás de cozinha, cujo preço caiu 0,73%, o transporte coletivo, com queda de 0,66% em função da ''domingueira'', redução no valor da passagem aos domingos. Em maio, subiu apenas o diesel, que teve alta de 0,61%.
O preço médio da gasolina caiu de R$ 2,249 em abril para R$ 2,230 em maio, uma queda de 0,84%. Foi um reflexo da queda no preço da distribuidora, que descontou a redução no preço do álcool (corresponde a 25% do preço da gasolina), explicou Silva. Apesar disso, o Dieese revelou que o lucro dos postos de combustíveis subiu de 11,5% em abril para 12,46% em maio, acima da média praticada no ano passado, que foi de 10,84%.
Na venda do álcool, a margem de lucro dos postos caiu 17% ficando até abaixo de R$ 1,00 o litro em alguns postos. Segundo Silva, a margem dos postos estava elevada em função da retaliação contra o Ministério Público que tabelou o lucro na venda dos combustíveis. ''Os postos não conseguiram sustentar as margens elevadas em maio, quando o preço do produto caiu com a entrada da safra de cana-de-açúcar'', explicou.
No mês de maio, a gasolina vendida em Curitiba foi a oitava mais barata do Estado e de Londrina, a terceira mais barata, com preço médio de R$ 2,20 o litro.

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