Tarifas públicas superam inflação
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sexta-feira, 10 de setembro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As tarifas públicas superaram as expectativas e subiram 1,56% em agosto, superando a inflação. De acordo com o acompanhamento mensal feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e Sindicato dos Engenheiros (Senge), o índice dos preços monitorados no período janeiro a agosto já é de 12,13%. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice é de 14%, superior à média da inflação no País, que é de 7,18% no mesmo período.
Para o economista do Dieese, Sandro Silva, a variação dos preços das tarifas públicas acima da inflação é um fator que vem realimentando o processo inflacionário nos últimos anos. ''Isso vem ocorrendo ano após ano, quando o setor que em tese deveria ser controlado pelo governo, é o que mais reajusta seus preços e provoca a inflação'', explicou. Para se ter uma idéia, em julho de 1994 uma família média gastava 16% de seu orçamento com as tarifas públicas e dez anos após, em julho de 2004, a mesma família gasta 32% do orçamento só para pagar contas e serviços controlados.
Contribuiu para a variação elevada de agosto, o reajuste dos combustíveis, sendo 8,17% da gasolina e 22,44% do álcool. Foi computado ainda um resíduo de 0,22% de aumento nas tarifas de telefone e 1,88% de aumento do táxi. Impacto maior do reajuste do táxi está sendo esperado para setembro, quando os consumidores sentirem no bolso o impacto da totalidade do reajuste. Em Curitiba, a bandeira inicial teve reajuste de 6,25% e a bandeira 1, 7,61%. O aumento maior foi na hora parada, que teve variação de 62,71%, passando de R$ 14,55 para R$ 24.
No ano, os itens que mais pesaram no bolso do consumidor foi o reajuste da energia elétrica, com variação de 22,89%, do pedágio, 31,15% e do transporte coletivo, com reajuste de 15,15%. Para o mês de setembro, a tendência da variação da cesta de tarifas públicas é de estabilidade, com o fim dos reajustes previstos para este ano, como água e esgoto, energia elétrica e telefone. A variação fica por conta do aumento do táxi e residual do telefone. Os preços dos combustíveis que tiveram uma alta acentuada em agosto, por conta da tentativa de aumento da margem de lucro dos postos de combustíveis, devem recuar em setembro por causa da concorrência e pressão do Ministério Público (MP).


