Tarifas públicas sufocam empresas
Manter uma empresa funcionando no Brasil, pagando todos os impostos e encargos é uma tarefa árdua. Além de pagar uma das maiores cargas tributárias do mundo e não ter o retorno equivalente em benefícios para a
população, o empresário é obrigado a conviver com a desigualdade dos preços de mercado com os praticados pelo governo.
Um estudo do Ministério da Fazenda revela que nos últimos onze anos a inflação do IPCA acumulou elevação de 173%. Dentro dela, os preços livres contentaram-se com 136% e os preços controlados pelo governo
não deixaram por menos de 339%. E no megabloco dos preços do governo, a inflação maior, nada menos que 394% no período, foi exatamente
a do
transporte coletivo, medida nas maiores regiões metropolitanas.
Em maio de 2003, por exemplo, a tarifa do ônibus de Londrina saltou de R$ 1,35 para R$ 1,60. Um reajuste de 18,5% enquanto a inflação do ano anterior fora de 12,53%. O problema é que estas tarifas provocam um impacto muito grande no custo de produção das empresas reduzindo os investimentos. Segundo o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro, os empresários não
conseguem repassar as altas nas tarifas públicas para os preços de seus produtos, pois correm o risco de perder mercado. A conseqüência disto é que as margens de lucro estão cada vez menores. Para permanecer no mercado, que é cada vez mais competitivo, o empresário se vê obrigado a absorver o os aumentos das tarifas repassando o mínimo possível. No final do período o empresário não vê sobra no caixa para investir e aumentar sua produção, comenta Ribeiro.
Ele cita como exemplo um tradicional supermercado de Londrina que tem uma folha de pagamento de R$ 420 mil e paga só de energia elétrica R$ 147 mil. O que a empresa paga de energia elétrica representa 35% do valor total da folha de pagamento. É um absurdo. É necessário que o governo reveja essa situação. Nas últimas semanas o governo vem comemorando muito o fato de o Brasil ter atingido a auto-suficiência na produção de petróleo e mesmo assim os preços dos combustíveis não param de subir. Cada alta reflete em todo o sistema produtivo, analisa Ribeiro.
Segundo ele, o governo peca em não ser o indutor do desenvolvimento econômico. O governo tem o leme e precisa conduzir de forma adequada a economia. Só que, como não se dispõe a reduzir seus custos e sempre joga a conta para o contribuinte pagar, afirma Ribeiro.





