Tarifas públicas sobem muito mais que inflação
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terça-feira, 21 de junho de 2011
Andréa Bertoldi <br>Equipe da Folha 
Curitiba - As tarifas públicas subiram mais que a inflação desde o início do Plano Real implantado em 1994. Em algumas situações, a variação chegou a números estratosféricos como mais de 7.000%. Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) analisou o comportamento das faturas de água e esgoto, energia elétrica e telefonia fixa a pedido da FOLHA. Hoje, as tarifas públicas abocanham cerca de 30% do orçamento familiar.
A energia elétrica que fica mais cara a partir de sexta-feira, subiu 195,65% de novembro de 1995 até maio de 2011 e a inflação (INPC) teve uma variação de 176,27%. O economista do Dieese, Sandro Silva, lembrou que, em 2010, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou um reajuste de 3,84% para os consumidores residenciais da Copel, mas com a retirada de descontos por parte do governo estadual, o efeito nas contas de luz foi de 15,28%.
A Aneel informou que a concessão da Copel com a agência iniciou em 1999. Entre este ano e 2011, o aumento autorizado para a estatal paranaense foi de 108,7%. No mesmo período, o IGP-M foi de 190,8% e o IPCA de 119,1%.
No caso da telefonia fixa, o que aliviou um pouco a situação foi a criação do Índice Setorial das Telecomunicações (IST), uma espécie de cesta de índices que baliza os reajustes das companhias telefônicas. Em 2010, o aumento para o consumidor no Paraná foi de 0,65%.
Mas, considerando um período mais longo, ou seja desde 1994 até 2010, só a assinatura residencial do plano básico passou de R$ 0,61 para R$ 43,51, o que representa um aumento de 7.032%. No mesmo período, o INPC variou 273,15%.
Silva lembrou que o governo Fernando Henrique Cardoso aumentou valores da assinatura e do antigo pulso (hoje minuto) com o objetivo de ''preparar'' as telefônicas para a privatização do setor que aconteceu em 1998. E isso, refletiu diretamento no bolso do consumidor final.
Em julho de 1994, a assinatura residencial mais 250 pulsos custava R$ 8,11. Em maio de 2011, a mesma assinatura mais 376,31 minutos (que equivale a 250 pulsos), tinha o custo de R$ 87,27, o que significa uma variação de 976%. No mesmo período, o INPC foi de 297,20%. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi procurada, mas não retornou até o fechamento desta edição.
Já as tarifas de água e esgoto praticadas pela Sanepar, ficaram sem reajuste de 2005 a 2011, durante o governo Requião, o que amenizou um pouco o aumento para o consumidor. Entre julho de 1994 até maio de 2011, a tarifa subiu 293% e a inflação 297,20%. Em 19 de março deste ano, o governo Beto Richa autorizou um aumento de 16,01%. Silva destacou que, mesmo sem reajustes para o consumidor a empresa continuou apresentando lucro devido ao aumento do número de clientes e a elevação do consumo. A Sanepar informou que o sistema de informática estava fora do ar, por isso, não teria como responder a solicitação da reportagem.
Apesar de todos esses aumentos, o cenário para o futuro é positivo. O economista do Dieese acredita que as tarifas públicas vão ficar abaixo da inflação. ''Com grande parte das categorias de trabalhadores com aumento real nos salários e o reajuste das tarifas públicas abaixo da inflação, essas contas devem pesar menos no orçamento familiar'', destacou. Além disso, disse que há formas de o consumidor tentar otimizar e reduzir o consumo de água, luz e telefone em casa.


