Tarifas públicas sobem mais que IPCA
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terça-feira, 10 de dezembro de 2002
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O custo dos preços administrados pelo poder público aumentou 4,79% em novembro, a maior variação registrada neste ano em Curitiba. Os itens que mais pesaram para a taxa foram o transporte público, o gás de cozinha e a gasolina. O índice mais alto até então havia sido registrado em junho (3,84%). Entre janeiro e novembro, as tarifas públicas já apresentam alta de 14,51%, superior à inflação acumulada no período de 10,57% em Curitiba, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O custo médio de uma família curitibana com os serviços administrados foi de R$ 371,04 em novembro. O levantamento é feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e pelo Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge). Esse valor representa uma variação de 238,6% sobre o custo de uma ''cesta'' de serviços básicos em julho de 1994, quando o valor era de R$ 109,58.
Para o levantamento, são considerados gastos médios com táxi, ônibus, telefone residencial, gasolina, gás de cozinha, energia elétrica, tarifa mínima de água e esgoto e pedágio. De acordo com o Dieese, uma família curitibana teve que destinar 30% do orçamento para a cesta de preços administrados. Em julho de 1994, era preciso apenas 16% da renda familiar.
Em novembro, o transporte público teve variação de 7,14% em Curitiba. A passagem de ônibus passou de R$ 1,40 para R$ 1,50. Com isso, a capital paranaense acumula variação de 19,75% na tarifa de transporte público entre janeiro e novembro, o segundo maior entre 11 capitais do Brasil, atrás de Goiânia (20,59%). O diesel, principal combustível da frota pública, tem alta acumulada de 41,63% no ano.
O preço do litro da gasolina aumentou 9,45% em novembro em Curitiba, com preço médio de R$ 1,911. O álcool teve variação bem superior, de 27%, mas esse item não faz parte da cesta de serviços básicos. O gás de cozinha de 13 quilos passou de R$ 23,48 em média para R$ 27,25, com variação de 16%. ''O governo tinha uma política de preços para os combustíveis, mas por causa das eleições segurou os preços, e agora eles voltaram a subir, mas sem política definida'', afirmou o economista do Dieese, Sandro Silva.
A expectativa do Dieese e do Senge é que as tarifas públicas apresentem aumento de 1,87% em dezembro, já que a Sanepar anunciou reajuste de 8,40% na tarifa mínima de água e esgoto. Mas o reajuste do pedágio, ainda indefinido pelo governo estadual, pode modificar esse percentual.


