Curitiba - A assinatura básica de telefone residencial subiu quase 6.000% nos últimos 11 anos. Em julho de 1994, os consumidores de telefonia fixa pagavam R$ 0,61 pela taxa de assinatura básica e hoje estão pagando R$ 37,02, uma variação ''estratosférica'' de 5.968,85%, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Nesse período, a inflação subiu 191%, a taxa de câmbio subiu 190% e a cesta básica de Curitiba subiu 160%.
O estudo do Dieese revelou que praticamente todos os preços das tarifas públicas se mantiveram acima da inflação no período analisado. A gasolina subiu 327%, o diesel, 396%, as tarifas de ônibus, 375%, energia elétrica, 318% e as tarifas de água e esgoto, 239,5%. Abaixo do índice oficial, ficaram os produtos da cesta básica, como o pão que subiu 175%; carne, 179%; feijão, 180%. Os produtos que menos subiram no período foram o café, com variação de 39% e o açúcar, que subiu 83,5%.
O aumento no preço da assinatura básica de telefone fixo começou ocorrer antes da privatização do sistema, em 1998. Após a venda das estatais, a variação continuou acima dos níveis inflacionários em função da indexação dos preços da telefonia ao Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), índice superior à inflação, explicou o economista do Dieese Sandro Silva. A justificativa, na época, era a necessidade de mudar o perfil das receitas das empresas de telefonia para tornar o setor mais atrativo para a privatização. A alternativa foi garantir uma receita mais fixa através do aumento das assinaturas.
Desde a privatização, a política da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), sempre foi dar aumentos diferenciados na assinatura básica e no pulso. O pulso local de telefonia fixa, que custava R$ 0,03 em julho de 1994 passou para R$ 0,14 em março de 2005, um aumento de 396%. ''Os consumidores economizam no pulso mas não escapam da assinatura básica'', observou o economista.
Alimentando a inflação - Conforme o levantamento das tarifas públicas, o consumidor está pagando o dobro com as tarifas públicas do que pagava em julho de 1994. Naquela época, o consumidor comprometia 16% do orçamento com os serviços essenciais e atualmente compromete 32%. Na avaliação de Silva, os preços dos serviços estão subindo mais do que a inflação e que os salários das pessoas. ''O próprio governo com a política de concessão dos serviços públicos está alimentando a inflação acima do previsto, ao contrário do que se imagina que é a política dos juros altos'', comparou. Segundo Silva, a inflação vem sendo alimentada pelo aumento das tarifas públicas, enquanto que a política de juros altos não provocam impacto nos preços dos serviços.
O presidente do Sindicato dos Engenheiros (Senge), Eroni Bertoglio, lamentou que a classe política está se afastando da defesa de temas que atingem o bolso do consumidor. Segundo ele, há cerca de cinco anos o Senge em parceria com o Dieese vem denunciando o ''descalabro'' nos preços das tarifas públicas que sobem acima da inflação e dos salários e ''não se vê um político que assume essa bandeira no Congresso'', disparou. ''Quando um assunto desse entra em pauta na base do Congresso, em pouco tempo ocorre um acordo de cúpula, arranjo de lideranças e nada acontece'',salientou.
O coordenador do Procon-PR, Algaci Túlio, manifestou a mesma opinião. ''Os políticos se esqueceram da prerrogativa que têm e não fazem a defesa do cidadão''. De acordo com Túlio, apesar das reclamações contra telefonia fixa serem as campeãs no Procon, o órgão pouco pode fazer por causa dos contratos firmados no período da privatização.

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