São Paulo - O professor do Programa de Administração do Varejo (Provar), da FEA-USP, João Paulo Lara de Siqueira, também acredita que parte dos resultados pífios do comércio tem relação com atitude mais responsável do consumidor. Ele acredita que o Natal deste ano, que está caminhando para ser o pior desde 1999, quando o Provar começou a medir a intenção de compra da população, também vai denunciar uma atitude mais consciente do consumidor.
A redução da renda ocorrida em razão do aumento das tarifas públicas, preços administrados e impostos também assustou as pessoas, que se viram com pouco dinheiro disponível até para o consumo de alimentos, tanto que cortaram ou reduziram itens da sua lista de despesas ou os trocaram por marcas mais baratas. Além disso, nos últimos anos novos gastos entraram no orçamento das famílias e foram para a lista dos compromissos fixos - ou seja, que não podem ser adaptados como uma lista de supermercado, por exemplo. É o caso da telefonia celular, TV a cabo e provedor de internet, ajudando também a desviar a renda que iria para o consumo.
Siqueira acrescenta que o País está engessado, pois as empresas, tanto internacionais como nacionais, não se animam a se lançar em novos projetos e criar empregos, pois não há garantia de reaquecimento da atividade econômica que dê retorno ao investimento. Poucas estão otimistas esperando uma retomada firme. As demais querem sinais mais claros de recuperação.
Além disso, seja por meio da tecnologia ou para cortar custos, as empresas encontraram soluções para realizar o que faziam antes com menos mão-de-obra e não vão rapidamente retomar a sistemática anterior. Por parte do governo, não se espera também grandes incentivos, pois o Estado está sem recursos para movimentar a economia.
Por isso, em 2004, os primeiros sinais de recuperação devem vir de fabricante de bens de consumo, duráveis ou semiduráveis, e não dos bens de capital. São os segmentos de bens essenciais, de baixo valor agregado e que estão com demanda reprimida.

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