Tarifas públicas acumulam alta de 9,08% no ano
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quarta-feira, 13 de novembro de 2002
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Os índices que compõem a cesta de serviços públicos administrados pelo governo já apresentam variação acima da inflação no período janeiro a outubro. No mês de outubro, as tarifas públicas apresentaram variação de 0,79%, mas, nos últimos dez meses, a variação das tarifas públicas acumula alta de 9,08%, que é superior à variação da inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que foi de 6,98% no Brasil, e 7,14% em Curitiba.
Se os preços das tarifas públicas continuarem em ascensão, devem fechar o ano com variação de dois dígitos. Para o economista do Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos e Sócio-Econômicos (Dieese), Sandro Silva, antes da explosão no preço dos alimentos em decorrência do aumento do dólar, a variação das tarifas públicas é o item que mais pressiona os índices de inflação.
Segundo levantamento feito pelo Sindicato dos Engenheiros (Senge) e do Dieese, o custo médio dos serviços públicos para uma família que mora em Curitiba, no mês de outubro, foi de R$ 353,46. Pesou nessa variação, o aumento do gás de cozinha e do álcool combustível. O acompanhamento dos serviços públicos envolvem energia elétrica, gás de cozinha, transporte coletivo, táxi, telefone, gasolina, água e esgoto, correio e pedágio.
Silva explica que a variação do mês de outubro nas tarifas públicas reflete basicamente as oscilações de mercado. Em outubro, o aumento no preço do álcool combustível ocorreu em função da opção dos usineiros em produzir mais açúcar para exportação. Para o mês de novembro, a situação deve se agravar. A expectativa é que o índice das tarifas públicas apresente uma variação de 4,87% com a incorporação do aumento dos preços dos combustíveis, do gás de cozinha e do ônibus, registrado no início deste mês.
A previsão do Dieese é que o custo médio dos serviços públicos passe para R$ 370,67 em novembro. A preocupação é que possa haver um novo repique no aumento dos combustíveis se for concretizada a projeção de revisão da base de cálculo do ICMS. Para dezembro, também já estão previstos ajustes nos preços nos serviço de água e esgoto e do pedágio, que devem influenciar no peso das tarifas públicas no orçamento das famílias.


