Tarifas e preços de serviços não devem ter alta em 12 meses
Os preços das tarifas de água, luz e telefone devem manter-se estáveis nos próximos 12 meses, porque foram reajustados recentemente. Mas é esperado um aumento de algo em torno de 5% para os combustíveis (álcool, gasolina, gás e diesel) em dezembro, quando estará completando um ano desde o último reajuste. A análise é da economista Denise Paschoal, da MCM, empresa de consultoria na área econômica.
Denise explica que algumas tarifas públicas, como telefone e combustíveis, subiram bastante nesses três anos do Plano Real por causa da política de recomposição de preços e retirada do subsídio, antes da privatização das estatais. Mas, por causa da concorrência, pode haver queda em alguns setores. Na telefonia celular privada, por exemplo, as tarifas tiveram redução de até 50%.
Em pesquisa feita pelo JT com fornecedores de cada item em São Paulo, desde julho de 1994, as tarifas de água e esgoto subiram 66,92%, para consumo de 30 metros cúbicos; o preço da energia elétrica avançou 61,08%, para consumo de 300 kWh; gasolina, 38%; álcool, 48%; gás, 54%. A assinatura telefônica residencial básica foi a campeã dos reajustes, com nada menos de 2.165,57%.
ServiçosPelo menos até o fim deste ano, é muito provável que não haja aumento de preço dos serviços em restaurantes, de médicos, dentistas, cabeleireiros, barbeiros e domésticas, de acordo com a coordenadora da equipe que calcula o Índice de Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cornélia Nogueira Porto.
Houve um pequeno reajuste do valor cobrado pelas domésticas diaristas e mensalistas em maio por conta do aumento do salário mínimo, afirma.
Segundo Cornélia, um novo reajuste do preço dos serviços só é esperado para o início do ano que vem, quando será divulgado o índice de inflação deste ano. Ela acrescenta que, em geral, os reajustes nos preços dos serviços têm apresentado uma relevante desaceleração nos últimos meses, embora ainda haja alguma lembrança da cultura inflacionária nesse setor.
O diretor de Análise Econômica do Banco BMC, Marcelo Allain, observa o início de uma convergência entre os preços de serviços e dos bens comercializáveis, ou seja, aqueles que sofrem concorrência externa, como é o caso dos produtos de alimentação e vestuário, por exemplo.
Segundo ele, o dinheiro passou a valer mais com o Plano Real, o que acabou provocando, no início, uma febre de consumo. Como os preços de serviços estão muito vinculados ao comportamento da oferta e da demanda, diz, o alto consumo acabou forçando os preços de serviços para cima. Esses aumentos constantes chegaram ao limite porque a própria demanda de serviços se estabilizou, explica.
Outro fator que também colaborou para a estabilidade dos preços dos serviços foi o desemprego ocorrido na indústria, que acabou obrigando muita gente a deslocar-se para estabelecimentos desse setor, aumentando, portanto, a sua oferta. Nesse caso, Allain não descarta nem a possibilidade de haver redução desses preços daqui para frente.





