Tarifas de transporte encarecem mercadorias
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sábado, 09 de julho de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba No Brasil, os encargos representam uma grande fatia do preço de qualquer produto disponível no mercado. Entre todos estes custos, um dos mais altos é o valor que se paga pelo caminho que a mercadoria faz para chegar da indústria ou do campo até a casa do consumidor. O transporte representa, no País, até 8% do custo final de um produto industrializado e de 8% a 10% do preço da saca de produtos agrícolas. Frete rodoviário caro e problemas logísticos históricos com as ferrovias são os grandes vilões que oneram o custo do produtor. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) dão conta que 62% da mercadoria transportada no País hoje vai por rodovia, apenas 21% por trem e o restante por outros meios. No Paraná, 70% vai por rodovia e 30% por ferrovia. Mas especialistas garantem: para ser eficiente, os números do transporte de mercadoria no País deveriam ser o inverso.
''O frete do caminhão custa cerca de 20% a mais que o do trem. Para os clientes fidelizados, que têm carga o ano todo, o custo do trem pode ser ainda menor. Mas não é caso da agricultura por causa da entressafra. Em função deste custo, o ideal seria que a maior parte do transporte pudesse ser feito por trem'', afirma o assessor do Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo. Porém, os problemas de estrutura ferroviária atrapalham o produtor. E, além disso, uma das reclamações dos produtores, segundo Camargo, é que os trens dão prioridade para os produtos industrializados. ''Se não tem vagão ou locomotiva disponível não leva'', explica. ''Não é possível transportar toda a safra em todos os pontos de produção por trem'', completa.
A América Latina Logística (ALL), concessionária responsável pelo transporte ferroviário no Sul do Brasil, opera 2,1 mil quilômetros de malha no Paraná. A empresa alega que, apesar de estar aumentando ano a ano o volume de carga transportada, não faz parte do contrato de concessão ampliação das estradas de ferro. ''É preciso uma oferta maior para o transporte. O Paraná tem gargalos logísticos que precisam ser superados. O transporte é um deles. As ferrovias não vão de encontro com a demanda'', afirma o coordenador da Câmara de Logística de Transporte da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Mário Stamm Júnior. ''Muitas vezes há falta de vagões. Daí não tem como embarcar tudo'', comenta. ''Mas a tonelagem de carga transportada por trem vem aumentando ao longo dos anos. Só que vai ser preciso pelo menos dobrar nos próximos cinco anos'', explica Stamm.
O frete rodoviário sai mais caro para o produtor porque leva menos carga que o trem e também porque os caminhoneiros muitas vezes precisam enfrentar estradas ruins e pedágio. Enquanto uma carreta leva cerca de 30 toneladas de grãos, por exemplo, um vagão leva de 45 a 60 toneladas. Quanto às condições das rodovias, o Paraná tem hoje 118,57 mil quilômetros, sendo 83% delas não pavimentadas (a maioria de responsabilidade municipal). No Brasil, o índice é parecido. Dos 1,74 milhão de quilômetros de estradas que cruzam o País, 90% não estão pavimentados. ''A melhoria na qualidade do transporte poderia fazer as indústrias e produtores se animarem a produzir mais. Além de atrair cargas de Estados próximos. Daí o processo se auto-estimula porque se transportar em grande escala também diminui o custo'', finaliza Stamm.


