Curitiba - A conta de energia elétrica deve ficar mais barata a partir de 5 de fevereiro. A previsão é que o desconto médio para o consumidor residencial seja de 16% e para o industrial de 28%. No entanto, o impacto no bolso do consumidor será sentido em março, quando as faturas chegarão com a leitura do "mês cheio". Na prática, isso será possível porque a presidente Dilma Rousseff sancionou ontem a lei que prorroga as concessões do setor elétrico e dá condições para a redução nas tarifas de energia.
Os percentuais de desconto ainda são apenas uma estimativa. O valor que será aplicado a cada distribuidora de energia será definido em uma reunião da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) marcada para a última semana de janeiro. Ontem, o diretor geral da Aneel, Nelson Hubner, disse que a agência deve aprovar até o fim deste mês os valores das tarifas que as distribuidoras de energia deverão aplicar aos consumidores a partir do dia 5 de fevereiro.
No entanto, a partir de junho, as contas podem voltar a subir um pouco no Paraná. Sempre no dia 24 de junho é realizado o reajuste tarifário anual da Copel. De acordo com a Aneel, o uso intenso das usinas termelétricas que está ocorrendo agora para suprir o baixo nível de água dos reservatórios das usinas hidrelétricas, também pode impactar no reajuste anual das empresas de energia. Com isso, o consumidor aproveitaria o desconto na totalidade no Paraná até junho.
O diretor da Trade Energy, Luis Gameiro, acredita que o repasse do custo do uso das termelétricas é líquido e certo. "Tudo vai depender da quantidade de termelétricas que serão utilizadas neste período", afirmou. No entanto, ele prevê que o fato de a Copel não ter renovado as concessões na área de geração, não deve afetar o percentual de desconto para os consumidores do Paraná.
A crítica que ele faz é que o governo federal vai oferecer o desconto justamente em um período que os reservatórios das hidrelétricas estão baixos. Para Gameiro, a redução nas tarifas pode estimular ainda mais o consumo de energia.
O superintendente de mercado e regulação da distribuição da Copel, Roberto Cambui, disse que a expectativa da companhia é que o desconto para o consumidor residencial fique próximo de 16%. No entanto, ele também prevê que o uso das térmicas pode ser compensado no reajuste tarifário anual que ocorre em junho.
O professor da área de planejamento e operação de sistemas elétricos de potência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Niromar Alves de Rezende, disse que, sem dúvida, o consumidor será beneficiado com a redução das tarifas. Ele acredita que o desconto pode ser parcialmente afetado para compensar o custo de utilização das termelétricas. "As nossas tarifas não podem ser mais caras que outros países que não possuem tantas hidrelétricas", disse.
O diretor da consultoria em energia Enercons, Ivo Pugnaloni, acredita que certamente o consumidor não terá o desconto de 20% na conta de luz que tinha sido prometido inicialmente pela presidente Dilma. "A diminuição da tarifa no Brasil é uma obrigação já que a fonte de geração é praticamente hidráulica", declarou. Ele destacou ainda que a tarifa alta atrapalha a competitividade dos produtos industriais brasileiros.
"A medida é muito bem-vinda e vai tornar os produtos da indústria mais competitivos, principalmente, alumínio e metais que utilizam mais energia elétrica para a produção. A energia ainda é muito cara, apesar de a matriz energética ser a hidroeletricidade", afirmou o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Hélio Bampi.

Imagem ilustrativa da imagem Tarifas de energia terão redução a partir de fevereiro
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