São Paulo - Os bancos nunca ganharam tanto dinheiro com as taxas e tarifas cobradas dos clientes como agora. Apenas com as receitas de serviços, que representam 16,6% dos ganhos totais, conseguem cobrir 100% da folha de pagamento e ainda sobram recursos. Segundo levantamento da Austin Asis com 18 bancos instalados no Brasil, entre 1994 e 2003 as receitas de serviços das instituições financeiras cresceram 746,07%, saltando de R$ 2,49 bilhões para R$ 21,11 bilhões. No mesmo período, as despesas de pessoal avançaram apenas 68,57%. Isso permitiu um avanço na relação receitas versus despesas pessoais. Em 1994, a renda com tarifas respondia por 20,3% dos salários dos empregados. No ano passado, por 101,7%.
Segundo o levantamento, entre os grandes bancos essa relação é mais forte no Itaú e no Unibanco, cujas receitas de serviços cobrem 161,3% e 160,1% da folha de pagamento, respectivamente. Procurados, nenhum deles quis falar sobre o assunto.
De acordo com o presidente da Austin Asis, Erivelto Rodrigues, a explicação para essa explosão nas receitas começa com o Real e a estabilidade da economia do País. Antes de 1994, os bancos ganhavam dinheiro com aplicações no overnight. Eles investiam os recursos dos depósitos à vista a custo zero, lembra Rodrigues. ''Aliás, a ineficiência de muitos bancos se escondia atrás desses ganhos. Quando acabou a inflação, alguns tiveram problemas, como foi o caso do Banco Nacional.'' A alternativa, acrescenta Rodrigues, foi a troca dos ganhos inflacionários pelas receitas de serviços.
O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, confirma as explicações de Rodrigues. Mas, na avaliação dele, outro fator é responsável pelo aumento das receitas de serviços: o crescimento da base de clientes. Ele explica que, em 1994, o Bradesco tinha cerca de 5 milhões de clientes. Em 2003, fechou o ano com 15 milhões. Além disso, houve grande aumento da quantidade de cartões de crédito. O banco elevou de 1,5 milhão para 6 milhões o número de cartões no País e as contas de poupança saltaram de 13 milhões para 33 milhões.
Cypriano afirma que as receitas de serviços são a terceira fonte de renda do banco, atrás apenas dos ganhos com operações de crédito e seguros. No Bradesco, as receitas com taxas e tarifas representam 95,3% da folha de pagamento.

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